A Pirelli colocou um sensor dentro do pneu e fez um carro parar 5,7 metros antes em uma frenagem no piso molhado, distância maior que o comprimento de uma Toyota Hilux. O resultado foi medido pela revista britânica evo, que testou o Cyber Tyre no autódromo de Vizzola, da própria Pirelli, nos arredores de Milão, na Itália. A tecnologia, desenvolvida há duas décadas, monitora os pneus em tempo real e adapta os sistemas eletrônicos de segurança do veículo.
Como funciona o Cyber Tyre
Cada pneu recebe um sensor Bluetooth do tamanho de três moedas de 25 centavos empilhadas, preso a uma base em formato de estrela-do-mar. O dispositivo pesa cerca de 12 gramas, aguenta 3.000 vezes a força da gravidade e funciona por aproximadamente cinco anos.
O sensor informa pressão, temperatura, desgaste e o tipo de pneu. Um receptor em cada eixo repassa esses dados ao computador de bordo, onde um algoritmo criado em parceria com a Bosch ajusta o freio ABS, o controle de estabilidade (ESP) e o controle de tração.
Sem o Cyber Tyre, esses sistemas trabalham calibrados para uma média de pneus. Com ele, passam a receber informações do pneu que realmente está montado no carro.
O que a evo testou
Na frenagem de 110 km/h até a parada total, a revista comparou o mesmo carro, calçado com pneus de inverno, com o Cyber Tyre ligado e desligado. Com o sistema ativo, o carro já sabia quanta aderência havia e foi direto a esse limite, em vez de "tateá-lo" aos poucos.
Esse tipo de frenagem no molhado é a base da nota de aderência da etiqueta do Inmetro, obrigatória nos pneus vendidos no Brasil.
Em uma prova de aquaplanagem, com cerca de 0,7 cm de água, o carro seguiu reto quando o motorista virou o volante com o sistema desligado. Com o Cyber Tyre ligado, o sistema usou os freios traseiros para apontar o carro na direção desejada.
Quem já usa e para onde vai
A tecnologia estreou no Pagani Utopia, hipercarro de 864 cv, e foi adotada pela Aston Martin e pela McLaren. Segundo o The Drive, também equipa modelos da BMW.
Para chegar a carros mais baratos, a Bosch ficará responsável por levar o sistema a pneus de qualquer marca. Hoje, portanto, o Cyber Tyre aparece em modelos de alto desempenho, mas a intenção é ampliar o alcance.
O que isso significa para o mercado brasileiro
Nenhuma informação sobre chegada ao Brasil foi divulgada. Ainda assim, o teste mostra o potencial de integrar pneu e eletrônica de segurança. Como a frenagem no molhado é justamente o critério da nota de aderência da etiqueta do Inmetro, o resultado dialoga diretamente com um dado que o consumidor brasileiro já vê na hora de comprar pneus. Se o plano de levar o sistema a pneus de qualquer marca e a carros mais baratos se concretizar, a tendência é que esse tipo de ganho de segurança deixe de ser exclusividade de esportivos de luxo.
