sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Locadora cobra família por 18 mil milhas em uma semana de viagem pelo Canadá: seria preciso rodar a 172 km/h sem parar

Uma cobrança inesperada transformou uma viagem de família pelo leste do Canadá em uma disputa sobre uma distância que exigiria velocidade constante por sete dias. Yuehao Huang diz ter percorrido cerca de 870 milhas (1.400 km), mas a Avis afirmou que ele havia ultrapassado sua franquia pré-paga em quase 18.000 milhas (28.968 km). O valor adicional lançado pela locadora é de US$ 4.300 (R$ 21.600), e o cliente contesta a cobrança.

A viagem e o histórico no celular

O passeio começou depois de um voo de Toronto, onde Huang mora, para Montreal. Foi nessa cidade que ele retirou o veículo e iniciou a viagem com a família. Durante a semana seguinte, o grupo passou por Mont Tremblant e Ottawa antes de voltar a Quebec, em um roteiro que Huang descreveu como agradável e sem acontecimentos fora do comum.

Ao devolver o carro, ele calculou que havia acrescentado aproximadamente 870 milhas (1.400 km) ao hodômetro. O número é compatível com o percurso que ele registrara no telefone. Huang havia guardado no aparelho os deslocamentos da semana e usou esse histórico para sustentar a contestação sobre a quilometragem atribuída ao carro alugado.

A conta que não fecha

A divergência não se resume a uma estimativa imprecisa do trajeto. A distância apontada pela Avis era mais de vinte vezes maior que a registrada por Huang.

Para acumular mais de 18.000 milhas (28.968 km) em uma única semana, seria necessário manter uma média ininterrupta de aproximadamente 107 milhas por hora (172 km/h). Essa média teria de ser sustentada durante todos os sete dias, e não apenas nos trechos de estrada, porque o cálculo distribui a quilometragem por todas as horas da semana.

Na prática, Huang precisaria percorrer a cada dia quase a distância entre Nova York e Los Angeles, repetindo o feito diariamente até a devolução do veículo. A comparação torna a cobrança difícil de conciliar com o roteiro relatado, que incluía paradas em cidades do leste canadense.

A cobrança e a contestação

O valor extra só apareceu depois que Huang voltou para casa. Segundo a City News, a Avis lançou uma cobrança adicional de US$ 4.300 (R$ 21.600) e informou que o motivo era o suposto excesso sobre a quilometragem pré-paga.

Huang contestou o lançamento imediatamente. Ele recorreu aos dados guardados no celular para mostrar por onde havia viajado ao longo da semana e quanto efetivamente dirigira. A documentação confrontava duas informações centrais da cobrança: o percurso de aproximadamente 870 milhas (1.400 km) e o excedente de quase 18.000 milhas (28.968 km) indicado pela empresa.

A Avis concordou inicialmente em analisar a contestação. Conforme o relato, porém, o pedido pareceu ficar sem andamento depois dessa resposta.

O que o caso mostra

  • A cobrança por excesso de quilometragem foi lançada somente depois da devolução do carro.
  • O cliente reuniu um histórico próprio de deslocamentos para contestar o valor.
  • A distância atribuída ao carro implicaria uma média de 172 km/h durante sete dias seguidos.

Para o consumidor brasileiro que aluga carros, dentro ou fora do país, o episódio reforça um cuidado simples: registrar o trajeto e conferir a quilometragem na retirada e na devolução. No caso de Huang, o histórico do celular foi o principal argumento para questionar uma conta que, pelos números apresentados, não combina com uma viagem de família de uma semana. Até o momento do relato, a disputa seguia sem desfecho informado.

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