O grupo Geely vai levar Google Maps, loja de aplicativos e o assistente de inteligência artificial Gemini às centrais multimídia de mais carros de suas marcas. A estreia está prevista para o segundo semestre de 2027, com os serviços funcionando no próprio veículo, sem a necessidade de espelhar o celular pelo Android Auto. Ainda não há data para a chegada ao Brasil, onde a marca concentra seus esforços na nacionalização do EX2.
Quais marcas entram no acordo
O acordo inclui modelos de Geely, Lynk & Co, Proton, Riddara e smart, entre outras fabricantes do conglomerado chinês. A integração com o Google já aparece nos Volvo vendidos no Brasil e nos Polestar, mas agora chegará a outras marcas do grupo. Ainda não foram divulgados o primeiro carro a receber o pacote nem o calendário brasileiro.
A implantação começará em mercados fora da China e dos Estados Unidos, conforme a disponibilidade dos serviços e a compatibilidade dos veículos.
Google sem precisar espelhar o celular
Com o Android Auto, o telefone executa os aplicativos e leva sua interface para a tela do carro. Na integração anunciada pelo grupo, o Maps e os demais programas funcionam na própria central, dispensando o smartphone para essas tarefas. Isso não elimina a necessidade de internet para os recursos on-line, mas permite usar os aplicativos mesmo sem conectar o aparelho.
- Google Play: dará acesso aos programas compatíveis com o sistema.
- Google Maps: ficará responsável pela navegação e pela busca de locais, incluindo carregadores.
- Gemini: permitirá fazer pedidos por voz e continuar a conversa com perguntas relacionadas, sem repetir todas as informações a cada comando.
Nas demonstrações do Google, o motorista pode pedir um restaurante bem avaliado ao longo do trajeto e depois perguntar se há estacionamento. Nos elétricos compatíveis, também é possível consultar a carga prevista na chegada e procurar um café perto do carregador, reunindo informações que normalmente exigiriam buscas separadas. A empresa também mostra o assistente respondendo a dúvidas com base no manual do veículo, como ensinar a limitar a altura de abertura do porta-malas.
São exemplos do que a tecnologia permite, embora o grupo Geely ainda não tenha detalhado quais funções estarão disponíveis em cada carro.
Igual nos Volvo
Quem conhece um Volvo EX30 ou XC60 vendido no Brasil já viu parte disso funcionando, com Maps, Google Play e assistente de voz integrados à central. O motorista pode usar a navegação e instalar aplicativos no próprio veículo, enquanto o sistema também reúne comandos de equipamentos, como o ar-condicionado.
A relação entre as empresas vem de antes: o Polestar 2 estreou com Android Automotive e serviços do Google em 2020, enquanto o XC40 Recharge foi o primeiro Volvo a receber a integração. O novo acordo amplia essa oferta dentro do conglomerado e inclui o Gemini, sem significar que todos os carros já equipados com Google tenham o novo assistente disponível.
Para o grupo, compartilhar ferramentas de navegação, busca e aplicativos pode reduzir o trabalho de desenvolver e manter alternativas próprias para cada marca. Em vez de criar todos esses serviços, as fabricantes podem concentrar seus esforços na interface e na integração com os equipamentos do veículo, embora o anúncio não detalhe a economia esperada ou prometa atualizações mais rápidas. A lógica é parecida com a dos celulares Android, que compartilham aplicativos e serviços do Google, mas têm menus e aparência diferentes conforme o fabricante. Volvo, smart e Geely também poderão manter suas próprias interfaces, mesmo usando o mesmo Maps ou Gemini.
No Brasil, o foco é o EX2 nacional
Enquanto a integração com o Google fica para 2027, a Geely está botando seus esforços na nacionalização de outro carro, o EX2, que começará a ser produzido em dezembro deste ano, no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). O hatch seguirá os passos do EX5 EM-i, cuja fabricação local começou em setembro, dentro da parceria com a Renault.
A nacionalização do rival do BYD Dolphin Mini, vale lembrar, nem estava nos planos iniciais da marca, que iria priorizar seus modelos mais caros, como o EX5, mas a procura pelo compacto fez a empresa mudar de ideia.
O que muda para o mercado brasileiro
Para quem está de olho no modelo, a produção brasileira e a chegada dos serviços do Google ainda são assuntos separados. Caso o pacote chegue também por aqui, deve ficar apenas para um segundo momento. Por enquanto, o consumidor brasileiro tem a experiência do Google integrado nos Volvo, e a expansão para as demais marcas do grupo depende de definições que a Geely ainda não anunciou.
