A VinFast, marca vietnamita de carros elétricos que não fez sucesso nos Estados Unidos, encontrou outro jeito de colocar seus SUVs nas ruas do país: transformá-los em táxis. A Green SM, empresa de transporte por aplicativo do mesmo dono da montadora, começou a operar em Los Angeles em 13 de outubro com uma frota de 500 VinFast VF8.
Frota maior que as vendas do ano
O número de táxis supera tudo o que a VinFast vendeu no país neste ano. Foram 389 emplacamentos de janeiro a julho, queda de 63% sobre o mesmo período de 2025, segundo a S&P Global Mobility.
Enquanto isso, as concessionárias ainda tentam vender unidades do VF9 ano-modelo 2024 e do VF8 2025, com descontos de quase R$ 100 mil (US$ 20 mil).
Como funciona a Green SM
A Green SM foi criada em 2023 pelo bilionário Pham Nhat Vuong, fundador do conglomerado Vingroup, dono da VinFast. Ele tem 95% da empresa, que só usa carros da marca.
A estratégia já foi usada no Vietnã. Em dois trimestres de 2023, a Green SM comprou cerca de dois terços dos carros elétricos vendidos pela VinFast, segundo a Reuters.
Em Los Angeles, o serviço funciona de um jeito diferente do Uber:
- a Green SM é dona dos carros e contrata os 500 motoristas como funcionários, com turnos fixos;
- as corridas podem ser pedidas pelo aplicativo, por telefone ou na rua;
- os preços são parecidos com os do Uber Comfort;
- as cinco primeiras viagens têm 50% de desconto, limitado a cerca de R$ 60 (US$ 12) por corrida.
Plano americano encolhe
Os táxis chegam enquanto o plano americano da VinFast encolhe. A fábrica de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) na Carolina do Norte, que deveria produzir carros desde 2024, ficou para 2028. Em maio, o governo do estado foi à Justiça para retomar o terreno, alegando prazos de obra descumpridos. A VinFast contesta.
Em 2025, a montadora teve prejuízo de US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões). Mesmo assim, afirma que segue comprometida com os EUA e prepara três novas concessionárias, duas na Califórnia e uma na Filadélfia.
O que isso significa para o mercado brasileiro
O caso mostra como uma fabricante de elétricos pode recorrer a uma empresa do próprio grupo para ganhar presença nas ruas quando as vendas a clientes comuns não decolam. Para o consumidor e o mercado brasileiros, é um exemplo de como a estratégia de uma marca estrangeira pode seguir caminhos diferentes do varejo tradicional. Também mostra que volume nas ruas nem sempre indica demanda real do público. A reação do mercado americano a essa frota será um sinal a observar para quem acompanha a expansão de marcas asiáticas de elétricos.
