terça-feira, 20 de outubro de 2026

ABVE prevê que eletrificados alcancem 30% das vendas de veículos leves em 2027

A participação dos veículos leves eletrificados nas vendas brasileiras poderá chegar a 30% já em 2027, três anos antes do previsto inicialmente pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). A projeção foi apresentada por Ricardo Bastos, presidente da entidade, durante o Seminário Eletrificação e Descarbonização, promovido por AutoData nesta terça-feira, 20. Na conta da associação entram os veículos BEV, PHEV, HEV e HEV Flex; os MHEV ficam de fora.

Economia como motor da eletrificação

Para Bastos, a expansão do mercado não depende apenas do interesse dos consumidores pela tecnologia ou dos benefícios ambientais. Segundo ele, a eletrificação tende a ganhar corpo pela questão econômica, principalmente entre quem usa o veículo elétrico no trabalho e já consegue obter melhores retornos.

O executivo também destacou o custo total de propriedade (TCO), que considera não apenas o investimento inicial, mas também as despesas de utilização. De acordo com ele, a economia operacional favorece a adoção dos eletrificados, especialmente em atividades profissionais e frotas. A apresentação apontou ainda que o Brasil já contava com mais de 90 mil carros eletrificados utilizados por motoristas de aplicativos, além de mais de 7 mil motos elétricas, conforme dados da Aliança pela Mobilidade Sustentável.

Os números do mercado

De acordo com os dados apresentados, o mercado brasileiro comercializou 381 mil 609 veículos leves eletrificados de janeiro a setembro de 2026. O volume representa 38% de todas as unidades registradas na série histórica da ABVE, iniciada em janeiro de 2012. Em setembro, a frota acumulada chegou a 1 milhão 3 mil 309 veículos.

  • A ABVE projeta cerca de 508 mil unidades vendidas em 2026, mais que o dobro das 223 mil 912 comercializadas em 2025.
  • A participação nas vendas de leves passou de 5% em novembro de 2023 para 22% em agosto de 2026.
  • Para 2027, a projeção de 30% equivale a aproximadamente 900 mil unidades, caso o mercado total mantenha volume próximo de 3 milhões de veículos por ano.

Bastos lembrou que a entidade projetava esse patamar por volta de 2030. Em suas palavras, "daqui a pouco, praticamente, um terço das vendas no Brasil serão de veículos eletrificados".

Oferta, produção nacional e infraestrutura

A ampliação da oferta em diferentes categorias e faixas de preço contribui para tornar a eletrificação mais acessível. Segundo Bastos, o mercado brasileiro oferecia 403 modelos eletrificados, de 66 marcas, até setembro de 2026, e alguns já custavam menos de R$ 100 mil. Ele vê espaço para novos lançamentos e apontou que, em 2027, o segmento de picapes de carga deve crescer bastante, assim como o de utilitários.

Sobre a indústria nacional, veículos fabricados no Brasil ou montados em regime CKD/SKD responderam por 38% do mercado em setembro, e os modelos importados completos, pelos outros 62%. De janeiro a setembro, as médias foram de 35% e 65%, respectivamente. Para o presidente da ABVE, a produção local começou no ano passado e precisa agora avançar também no conteúdo local, o que pode abrir oportunidades para o setor de autopeças. Ele citou o programa Mover, do governo federal, e disse que o necessário é volume para que os projetos se tornem viáveis. Também considera possível avançar na produção nacional de baterias e componentes eletrônicos e destacou o potencial dos híbridos plug-in com motores a combustão capazes de utilizar etanol.

Na infraestrutura, o Brasil já superou 30 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, com avanço dos carregadores rápidos. A expectativa é que a expansão continue em 2027, principalmente nos equipamentos de recarga rápida e de oportunidade. Bastos destacou ainda a regulamentação para carregadores em condomínios, com o Estado de São Paulo dispondo de legislação avançada, e propôs um plano nacional de eletromobilidade para orientar investimentos em estradas, corredores de recarga e financiamento.

O que isso significa para o mercado brasileiro

A projeção da ABVE indica que a eletrificação deixa de ser nicho e passa a ser um movimento de mercado, sustentado por maior variedade de modelos, custo de uso favorável e avanço gradual da produção local. Se a meta de 30% em 2027 se confirmar, os eletrificados responderiam por cerca de um terço das vendas de veículos leves no País, com reflexos para montadoras, fornecedores e para a infraestrutura de recarga.

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