sexta-feira, 23 de outubro de 2026

General Motors aposta em IA para desenvolver carros em dois anos e responde à indústria chinesa

A General Motors anunciou uma mudança profunda em seus processos de engenharia para acompanhar o ritmo de concorrentes chinesas como BYD, Geely e Xiaomi, que têm surpreendido o mercado global com lançamentos rápidos e cada vez mais novidades. A fabricante norte-americana informou que passará a usar inteligência artificial para reduzir o tempo de criação de um novo veículo de quatro para apenas dois anos.

Pressão das montadoras asiáticas

A iniciativa busca dar mais agilidade e competitividade à companhia diante da forte expansão de modelos asiáticos em diversos mercados: Ásia, Europa, Oriente Médio e América Latina, além de países vizinhos dos Estados Unidos, como Canadá e México. Pressionada por BYD e Geely, a maior montadora dos EUA quer criar carros na metade do tempo e mudar até o "cérebro eletrônico" de seus modelos.

IA no desenvolvimento de baterias

Para acelerar o desenvolvimento das baterias que vão equipar seus futuros carros elétricos, engenheiros da marca recorreram a sistemas inteligentes capazes de analisar trezentas mil combinações químicas possíveis em tempo recorde. O objetivo é equiparar os custos aos de modelos a combustão sem perder autonomia.

Computador centralizado e direção autônoma

Além disso, a empresa planeja unificar os múltiplos módulos de processamento de seus carros em um único computador centralizado. Segundo a matéria-fonte, essa mudança:

  • diminui custos de produção;
  • reduz a quantidade de fios no chicote elétrico;
  • afasta a vulnerabilidade da empresa frente a eventuais crises globais de semicondutores.

Essa arquitetura eletrônica centralizada também dará suporte a sistemas altamente avançados de assistência ao motorista. A montadora estabeleceu a meta de oferecer, até 2028, uma tecnologia de direção autônoma que permita aos condutores tirarem os olhos da estrada em rodovias divididas. O recurso tem estreia marcada no SUV elétrico Cadillac Escalade IQ, antes de se expandir para as demais linhas de veículos da empresa.

Desafio no segmento eletrificado

Mesmo com toda essa transformação tecnológica, a GM lida com o desafio de ampliar sua fatia no segmento eletrificado, no qual atualmente detém participação minoritária nos Estados Unidos, mercado liderado pela Tesla. Sob a liderança da executiva Mary Barra, a montadora busca se adaptar às novas realidades regulatórias e econômicas para assegurar sua relevância no cenário automotivo internacional nos próximos anos.

Para o mercado brasileiro, o movimento da GM é um sinal relevante: a expansão de modelos asiáticos na América Latina é um dos fatores que levam a montadora a rever seu ritmo de desenvolvimento. Se a meta de reduzir o ciclo de criação pela metade se confirmar, a tendência é de uma disputa ainda mais acirrada por tecnologia e agilidade nos lançamentos entre marcas tradicionais e chinesas.

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