sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Mesmo com Trump contra, dona de Chevrolet e Cadillac não desiste dos elétricos

A General Motors afirma que não vai abandonar os carros elétricos, apesar da queda das vendas nos Estados Unidos e do fim dos incentivos federais pelo governo Donald Trump. Durante o GM Forward, realizado em Nova York na última quarta-feira (21), o presidente Mark Reuss defendeu a continuidade dos investimentos e disse que a empresa estará preparada quando o mercado americano voltar a ganhar escala.

Nova plataforma aposta em baterias mais baratas

A próxima aposta da GM é uma plataforma de quarta geração para crossovers, pensada para reduzir peso e custo. Principal gargalo da linha elétrica do grupo hoje, a bateria ganhará uma nova base com células prismáticas ricas em lítio e manganês, conhecidas pela sigla LMR, que serão produzidas pela Ultium Cells, parceria da montadora com a LG Energy Solution.

Segundo a fabricante, essa química promete densidade energética 33% superior à das células de lítio-ferro-fosfato (LFP), por um custo comparável. Os ganhos de eficiência também entram na conta:

  • redução de 20% na capacidade necessária da bateria, com motores mais eficientes e melhorias aerodinâmicas;
  • 40% menos componentes nos conjuntos de propulsão;
  • redução de 30% na fiação, graças à arquitetura de computação centralizada.

Trata-se de projeções divulgadas pela GM para a futura geração, ainda sem especificações completas de autonomia e recarga dos modelos. A ideia é gastar menos energia para percorrer uma determinada distância e, assim, diminuir a necessidade de pacotes grandes, pesados e caros.

Vendas em queda e produção menor

A defesa dos elétricos acontece depois que o governo Trump encerrou o crédito fiscal federal para novas compras a partir de outubro de 2025, retirando um estímulo importante à demanda. A comparação anual também enfrenta uma base elevada, já que consumidores anteciparam compras antes do fim do benefício, em setembro do ano passado.

Entre janeiro e setembro de 2026, os carros e as picapes elétricos da Chevrolet somaram 35.998 unidades nos EUA, queda de 56,7% sobre o mesmo período de 2025. O cálculo reúne Bolt, Blazer EV, Equinox EV e Silverado EV. A linha elétrica da Cadillac recuou 10,6%, para 34.125 unidades.

As mudanças na produção já atingem modelos em diferentes faixas de preço, com paralisações na Factory Zero, responsável pelas grandes picapes elétricas e pelo Cadillac Escalade IQ. O Bolt tem encerramento da fabricação previsto para o primeiro trimestre de 2027, e os projetos Honda Prologue e Acura ZDX, derivados da tecnologia Ultium, também foram cancelados. A promessa convive ainda com a retomada da prioridade às picapes a combustão.

Uma aposta que continua global

Ao justificar a continuidade dos projetos, Reuss destacou que a GM atua globalmente e segue desenvolvendo veículos e baterias para atender à expansão da eletrificação. “Continuamos desenvolvendo nossos futuros elétricos e trabalhando para reduzir os custos das baterias. E, quando o mercado dos EUA estiver pronto para elétricos em grande escala, estaremos lá para atendê-lo”, afirmou.

Na Europa, um levantamento de E-Mobility Europe, New Automotive e Fier Automotive, citado pela Reuters, apontou que os carros 100% elétricos chegaram a 32,6% das vendas em setembro nos 17 mercados acompanhados. O recorte mostra que a retração americana convive com uma participação crescente dos modelos a bateria em outros mercados.

Embora tenha descrito a chegada dos novos elétricos como algo para “muito em breve”, Reuss não apresentou um calendário de lançamentos no evento. A GM também não detalhou quais crossovers estrearão a plataforma nem os preços que deverão tornar essa geração mais acessível.

E o Brasil nessa história

No Brasil, em situação bem diferente da América do Norte, a GM resolveu reagir ao crescimento das marcas chinesas com modelos desenvolvidos pela joint venture SAIC-GM-Wuling. O Spark EUV deriva do Baojun Yep Plus, enquanto o Captiva EV tem origem no Wuling Starlight S. Os dois já são montados no Ceará e ampliaram a oferta da Chevrolet em faixas de preço bem inferiores às dos elétricos que a marca importava da América do Norte.

O Bolt já havia deixado a linha brasileira há algum tempo, e o Equinox EV saiu de oferta após o fim dos estoques neste ano, sem previsão de novos lotes. O Blazer EV continua como opção importada mais cara, enquanto Spark EUV e Captiva EV dão à Chevrolet produtos para disputar espaço com os concorrentes chineses na concorrida faixa entre cerca de R$ 150 mil e R$ 220 mil.

Na outra ponta da gama, a GM também iniciou a operação oficial da Cadillac no país apenas com veículos elétricos. Lyriq e Vistiq estão em pré-venda, com as primeiras entregas previstas para novembro, enquanto o Optiq ainda passa pelo processo de homologação.

Para o mercado brasileiro, o recado é que a GM separa as estratégias: enquanto recalibra os elétricos nos EUA, aposta em modelos de origem chinesa para ganhar competitividade em preço e usa a Cadillac para ampliar a presença no segmento de luxo eletrificado.

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