quinta-feira, 22 de outubro de 2026

CEO da Fiat critica Euro NCAP e diz que consumidores estão “perdidos” com as notas de segurança

O novo CEO da Fiat, Arnaud Belloni, afirmou que os consumidores estão “totalmente perdidos” diante das notas do Euro NCAP, o programa europeu que avalia a segurança dos carros novos. Na visão do executivo, o problema está nas mudanças frequentes nos critérios de avaliação. A declaração também chama atenção porque a Fiat desenvolve um pequeno carro elétrico de entrada, em que o preço deve pesar mais do que qualquer outro argumento.

O que disse Belloni

A fala foi dada em entrevista à revista britânica Autocar, durante o Salão de Paris. Belloni comanda a Fiat, a Abarth e a Lancia desde setembro. Segundo ele, o Euro NCAP muda as regras a cada dois anos, e um carro que tinha cinco estrelas há alguns anos passa a ter três e, depois, duas.

O executivo, que diz trabalhar no setor há 35 anos, afirmou ainda que poucas montadoras levam as avaliações realmente a sério.

Testes mais duros e notas que perdem validade

Neste ano, o Euro NCAP endureceu os testes e passou a exigir, por exemplo, botões físicos para comandos essenciais. As notas valem por até seis anos.

A Fiat conhece bem esse efeito:

  • O Punto ganhou cinco estrelas quando foi lançado, em 2005.
  • Em 2017, 12 anos depois, foi testado de novo e se tornou o primeiro carro a receber zero estrela na história do Euro NCAP, em grande parte pela falta de frenagem automática de emergência.

O caso brasileiro e o elétrico barato

No Brasil, o caso mais conhecido envolve o Latin NCAP, equivalente latino-americano do programa. A dupla Argo e Cronos recebeu três estrelas para adultos e quatro para crianças em 2019. Reavaliada em 2021, com protocolo mais rigoroso, levou zero.

As declarações coincidem com o desenvolvimento de um pequeno carro elétrico de entrada da Fiat, pensado para a nova categoria de modelos compactos e baratos que a União Europeia está criando. Segundo a Autocar, para reduzir custos, o modelo poderá ter equipamentos de segurança e assistentes de condução mais simples, o que tende a afetar seu desempenho nos testes. Nesse segmento, o preço deve ser o principal argumento.

Questionado se isso significa aceitar uma nota menor, Belloni disse que a indústria automotiva evoluiu mais do que qualquer outra nos últimos 30 anos e que os clientes sabem disso.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Para o consumidor brasileiro, o debate é familiar: os casos de Argo e Cronos no Latin NCAP mostram como uma nota pode mudar quando o protocolo fica mais rigoroso. A discussão levantada pelo CEO da Fiat reforça a importância de olhar a data e o rigor de cada avaliação, e não apenas o número de estrelas, ao comparar a segurança de um carro.

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