sexta-feira, 23 de outubro de 2026

25 anos de Velozes e Furiosos: bastidores e mentiras do primeiro filme

O filme Velozes e Furiosos completou 25 anos de lançamento e voltará a ser exibido nos cinemas brasileiros a partir do dia 12 de novembro. O que era para ser apenas mais um filme de ação virou um fenômeno cultural por causa dos carros tunados que aparecem em cena. Para marcar a data, reunimos curiosidades e "mentiras" de bastidores do primeiro longa da saga.

O filme que ajudou a moldar a cena do tuning

O movimento do tuning já existia desde os anos 1990, mas Velozes e Furiosos ajudou a popularizar esse tipo de modificação. O impacto cultural fez muitos jovens deixarem de cultuar supercarros italianos para apreciarem esportivos japoneses.

Hoje, muitos entusiastas que gostavam de tuning fingem que não passaram por essa fase e consideram cafonas esses carros coloridos e cheios de acessórios. Ainda assim, o impacto do filme na época foi inegável.

Os carros de mentirinha das telas

O famoso Mitsubishi Eclipse verde de Brian O'Conner chamou atenção pela pintura e, pelas falas do filme, parece um esportivo de respeito. Mas o carro que aparece nas telas não condiz com o que é dito: a versão usada foi a de entrada, a RS. Ela não vinha com motor turbo japonês; sob o capô havia um 2.0 aspirado da Chrysler, o mesmo usado pelo Neon, com 142 cv.

Quando o carro aparece de capô aberto, é possível ver que as modificações foram apenas estéticas: cabos de velas e mangueiras coloridas, tampa do cabeçote cromada e outros acessórios. O sistema de nitro também é só visual. E, mesmo se estivesse conectado, o Eclipse não teria chances de enfrentar o Mazda RX-7 de Dominic Toretto: o nitro dá mais potência, mas não alonga as marchas, então a velocidade máxima seria a mesma.

Outro carro sem chances de vencer uma corrida era o Volkswagen Jetta de Jesse. O modelo usado no filme tinha motor 2.0 aspirado de 116 cv e câmbio automático.

Adesivos, Skyline e nitro

O tuning do fim dos anos 1990 envolvia pinturas chamativas, luzes de neon, carroceria modificada e adesivos de marcas de peças. Os vinis com artes exageradas de Velozes e Furiosos, porém, foram criados pela produção do filme. O cavaleiro retrofuturista do Toyota Supra, o tubarão mecânico do Nissan Maxima, o foguete do Mazda RX-7 e outras artes saíram das mãos de artistas do estúdio Universal sem ligação com o cenário automotivo. Segundo Craig Lieberman, consultor dos primeiros filmes, os adesivos eram motivo de piada entre quem forneceu os carros. Os veículos que fazem figuração nas cenas de corrida é que retratam de fato as modificações da época. Mesmo assim, depois do filme, os adesivos exagerados viraram tendência.

O carro japonês mais legal do filme foi o Nissan Skyline GT-R R33 de Leon, que aparece em algumas cenas, mas não participa de corridas. Hoje ele não existe mais. O Skyline GT-R foi vendido apenas no Japão e nem poderia estar nos EUA em 2001, já que a legislação local só permite importar carros com mais de 25 anos. A empresa MotoRex importou o carro para pesquisa e desenvolvimento e trabalhou para legalizá-lo nos EUA, com testes de emissões e de impactos. Durante a produção, só existia aquela unidade, por isso o carro fez apenas figuração. Embora a MotoRex tenha legalizado algumas unidades, o amarelo do filme não era uma delas: em 2012, foi apreendido pelo estado de Wisconsin e destruído por não ter um número de chassi válido nos EUA.

Já o óxido nitroso (N2O), ou nitro, é um gás que pode ser injetado no motor para aumentar a potência. Ele eleva a massa de oxigênio injetada, reduz o aquecimento da câmara de combustão e permite queimar uma quantidade maior de mistura ar-combustível. No filme, o Eclipse é fuzilado e explode com chamas verdes por causa do nitro. Fora do universo fantasioso da franquia, isso seria impossível, pois o óxido nitroso não é inflamável.

Nos bastidores do elenco, Paul Walker estrelou filmes de pouco sucesso antes de Velozes e Furiosos e já havia trabalhado com o diretor Rob Cohen. Aceitou o papel de Brian O'Conner quando foi convidado, mas quase perdeu a chance: o estúdio convidou o rapper Eminem, que recusou para trabalhar em seu filme 8 Mile. Mark Wahlberg e Christian Bale também foram considerados, e Timothy Olyphant foi cotado para fazer Dominic Toretto, mas recusou por achar o filme estúpido.

Para o mercado brasileiro, a volta do primeiro filme aos cinemas é um convite para rever como a cultura do tuning mudou o gosto de uma geração de entusiastas. Entre exageros de roteiro e carros que não eram o que pareciam, o longa segue como referência de uma época em que esportivos japoneses e modificações estéticas ganharam as ruas e as telas.

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