segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Chevrolet Meriva usada: preço atrativo, mas defeitos conhecidos no câmbio Easytronic e no motor

A Chevrolet Meriva saiu de linha em 2012, mas continua aparecendo em anúncios de usados, com as unidades mais antigas na casa dos R$ 20 mil. O preço atrai, mas relatos de donos em sites de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui, apontam problemas recorrentes no câmbio automatizado Easytronic, no motor e no sistema de aceleração.

Da estreia em 2002 à saída de linha

A minivan foi lançada no Brasil em 2002, meses depois de aparecer na Europa com a marca Opel, que na época pertencia à GM. No início, era vendida com motores 1.8 de 8 e 16 válvulas a gasolina, sendo o de 16 válvulas desenvolvido em parceria com a Fiat. O modelo usava a mesma plataforma da segunda geração do Corsa, o que deixava a manutenção conhecida e barata.

Ao longo da carreira, a Meriva ganhou versão flex, motor 1.4 Econoflex e até uma versão esportiva em 2006. Em 2008, recebeu o polêmico câmbio automatizado Easytronic, aposta da marca que, segundo a matéria original, teve resultados nada bons. A Meriva ficou à venda até 2012 e foi substituída pela Chevrolet Spin.

Câmbio Easytronic concentra as queixas

O Easytronic é um câmbio manual comum com um "robô" que pisa na embreagem e troca as marchas sozinho. É mais barato que um automático de verdade, mas é esse sistema que acumula as reclamações.

  • Uma consumidora contou que o carro parou no meio de uma avenida em horário de pico. Ouviu que o defeito era comum na Meriva automatizada, pagou o conserto e o problema voltou.
  • Outro dono relatou mais de um mês sem o carro e gastos superiores a R$ 5 mil com troca do conjunto de embreagem e câmbio, reprogramação e vários guinchos. Segundo ele, a concessionária disse que não achou o problema e não sabia consertar.
  • Um terceiro consumidor teve a mesma falha e disse que, na autorizada, o valor ficava em torno de R$ 6 mil.

Em um dos casos, a Chevrolet informou que o veículo não estava mais coberto pela garantia e afirmou que cada caso é analisado individualmente pela área técnica, seguindo os termos de garantia. Nos demais, agradeceu o relato e orientou o cliente a procurar a Central de Relacionamento.

Motor 1.8 e perda de aceleração

Entre os donos da versão 1.8, um relatou que trocou a embreagem por causa de um barulho ao pisar no pedal, mas o ruído continuou. A oficina identificou então uma folga axial do virabrequim, que ele descreveu como característica dos motores 1.8 da Meriva.

Outro caso envolve um consumidor que comprou uma Meriva 2007 em loja independente. Em setembro de 2025, ele contou que, quatro meses depois, o motor fundiu, com conserto de cerca de R$ 11 mil. Ele alega defeito oculto, diz que a loja não responde e que não recebeu nota fiscal do veículo.

Há ainda a perda de aceleração. As versões 1.8 não têm cabo ligando o pedal ao motor: o sistema é eletrônico, com um motor elétrico que abre e fecha a borboleta, e sensores informam a posição dela ao módulo de injeção. O acelerador eletrônico do modelo tem engrenagens internas de baixa durabilidade e, quando elas quebram, o carro perde aceleração.

Os motoristas relatam sentir o carro perder força de repente, com uma luz acesa no painel. O sistema tem um modo de segurança que deixa a borboleta parcialmente aberta e permite seguir viagem, mas com desempenho bem reduzido. Um proprietário de uma Meriva 2006 quase levou uma batida na traseira após a perda brusca de potência. A oficina trocou o conjunto do corpo de borboleta e do sensor de posição, mas, segundo o relato, a falha voltou depois de algum tempo. Outro dono precisava desligar e religar a ignição para a aceleração voltar. Nesses casos, a Chevrolet respondeu que os veículos estavam fora do período de garantia.

O que isso significa para o comprador

Quem compra uma Meriva hoje leva um carro com, no mínimo, 14 anos de uso. Para o mercado brasileiro de usados, ela segue como opção de preço baixo e mecânica conhecida, mas a idade pesa. Antes de fechar negócio, vale conhecer os pontos fracos do modelo, especialmente se a escolha for a versão com câmbio Easytronic. Também é prudente garantir a nota fiscal da compra, já que um dos relatos envolve defeito oculto em unidade comprada em loja independente.

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