Num mercado cada vez mais tomado por SUVs híbridos e elétricos, o Jeep Compass Blackhawk chega como um respiro para quem prefere a pegada esportiva a combustão. Mantido na linha 2027 por R$ 278.990, o utilitário acaba de chegar às lojas e passou a ser flex, aceitando etanol e gasolina. Em avaliação do Autoo, o modelo se mostra bem-disposto, bem equipado e, como contrapartida, sedento no consumo.
Motor flex, câmbio de 9 marchas e visual esportivo
O coração do Blackhawk é o motor 2.0 turboflex, que rende 272 cv e 40,8 kgfm de torque a 3.000 rpm. É o mesmo propulsor que equipa a picape Ram Rampage R/T. Ele trabalha com o câmbio automático de 9 marchas, com conversor de torque fabricado pela alemã ZF, e com tração nas quatro rodas.
Segundo a avaliação, o conjunto é empolgante nas saídas de semáforo e tem fôlego para ultrapassagens seguras. O câmbio, porém, mostra-se um pouco hesitante entre as trocas. A recomendação é selecionar o modo sequencial para quem quiser assumir o controle, com as hastes de aço anodizado no volante, que fazem trocas de marcha de verdade, e não simuladas, como nos CVTs.
O visual reforça a proposta esportiva:
- dupla saída de escapamento na traseira;
- rodas de aro 19 com pneus Pirelli Scorpion 235/45R19, de perfil baixo, que deixam à mostra as pinças de freio vermelhas;
- lanternas fumê;
- logo do falcão negro na traseira, que também aparece no cluster antes de o motor ser ligado.
Dinâmica, conforto e equipamentos
Apesar do ímpeto esportivo, o Blackhawk continua sendo um SUV, com 19,8 cm de altura livre do solo e 1.720 kg. Isso significa que a estabilidade e a transferência de peso nas curvas não se comparam às de um cupê ou sedã esportivo, o que exige certa cautela ao volante.
Por dentro, os bancos recebem camurça e couro em alto relevo com costuras aparentes, além de largos apoios laterais para segurar o corpo nas curvas. A lista de equipamentos de série é bem recheada:
- carregador de celular por indução;
- som de alta fidelidade Beats, com subwoofer no porta-malas;
- central multimídia conectada, com GPS embutido;
- pacote ADAS;
- tampa traseira motorizada.
No resto, é o Compass de sempre: espaço suficiente para cinco ocupantes viajarem com certo conforto, com saídas de ar e entradas USB para quem vai no banco traseiro. O porta-malas comporta 410 litros de bagagem.
Consumo é a conta a pagar
Esse desempenho tem preço na bomba. Pelo Inmetro, o Compass Blackhawk flex faz até 11 km/l de gasolina na estrada e 8,5 km/l na cidade. Com etanol, os números caem para 7,6 km/l e 6,5 km/l, respectivamente.
O avaliador faz um alerta: esses números foram obtidos em condições ideais e antes de entrar em vigor a gasolina E32, com 32% de etanol. Por isso, o consumo real pode ficar bem acima dos dados do Inmetro, já que também depende da forma como o SUV é conduzido.
O que esperar do futuro do Compass
A nova geração do Compass no Brasil chegará apenas em 2028, com a nova plataforma SLTA Médium, da Stellantis, em um SUV completamente reformulado em relação ao atual. Segundo a avaliação, será uma grande evolução, mas a versão esportiva atual deve fazer falta aos entusiastas e a próxima geração não deve ter algo tão empolgante quanto este carro da linha 2027.
Para o mercado brasileiro, o Blackhawk flex aparece como uma das poucas opções de SUV esportivo a combustão, com equipamentos completos, em meio à enxurrada de utilitários eletrificados. Para quem valoriza motor turbo, trocas manuais no volante e um escapamento que ronca, a janela de oportunidade existe, mas o consumo é um fator a ser ponderado antes da compra.
