segunda-feira, 26 de outubro de 2026

M1 Numbers: Maextro já supera Lamborghini e Bentley no luxo, e Jaguar e Porsche apostam em carros ainda mais caros

As montadoras chinesas estão mudando o mercado global e pressionando marcas tradicionais a rever seu posicionamento, inclusive no segmento premium e de luxo. No recorte de carros de luxo vendidos em 2025, a chinesa Maextro já aparece em terceiro lugar, à frente de Lamborghini e Bentley, enquanto a China responde por 14% das vendas desse grupo. Como resposta, Jaguar, Land Rover e Porsche apostam em modelos mais exclusivos e caros.

Prestígio sob pressão

Qualidade de construção, desenho sofisticado, ergonomia bem resolvida e tecnologias de ponta ajudaram a consolidar Mercedes-Benz e BMW entre as marcas premium, enquanto Ferrari e Rolls-Royce ocupam uma faixa ainda mais exclusiva. Esse prestígio foi construído ao longo de décadas nos mercados ocidentais, no Japão e na Coreia.

Embora tenham chegado relativamente tarde à indústria automotiva global, alguns fabricantes chineses ganham participação em velocidade incomum, apoiados na capacidade de desenvolver, atualizar e colocar novos produtos à venda muito mais rapidamente. Fora da China, a indústria ainda não conseguiu acompanhar esse ritmo, e as fabricantes tradicionais enfrentam dificuldades para criar tecnologias, lançar modelos e ajustar suas estratégias comerciais com a mesma agilidade de grupos como BYD e Geely ou de marcas mais novas, como Xpeng e Xiaomi.

O ranking do luxo em 2025

Segundo o levantamento, a Ferrari lidera com cerca de 13,5 mil unidades, e a Mercedes-Benz aparece perto das 13 mil. Em seguida vem a Maextro, acima de 11 mil carros, à frente de Lamborghini, com pouco mais de 10,5 mil, e Bentley, na casa das 10 mil.

  • BMW: pouco mais de 7 mil carros;
  • Rolls-Royce e Aston Martin: perto de 5,5 mil cada uma;
  • McLaren: cerca de 2 mil;
  • Toyota: algumas centenas.

Para Mercedes-Benz, BMW e Toyota, a comparação considera apenas os veículos incluídos nesse recorte de luxo, não as vendas totais de cada fabricante.

Na China, são apresentados, em média, dois novos carros de produção por semana. A presença da Maextro entre as primeiras colocadas mostra que essa velocidade já começa a alcançar o luxo, onde as marcas locais procuram compensar a falta de tradição com uma experiência a bordo mais sofisticada.

Por origem das marcas, a Itália fica com 31% das vendas do recorte, seguida por Reino Unido, com 29%, e Alemanha, com 25%. A China já alcança 14%, e os demais países somam 1%. A divisão considera a nacionalidade das fabricantes, e não o local onde os carros foram vendidos.

A resposta: nichos mais exclusivos

Para as marcas ocidentais de luxo de menor porte, uma saída possível é se especializar ainda mais e mirar um grupo restrito de compradores. Depois de não conquistar fatia significativa do segmento premium nem acompanhar o avanço chinês, a Jaguar decidiu se concentrar em carros mais exclusivos e caros. O principal representante dessa mudança é o elétrico Type 01, um GT de quatro portas ainda por estrear.

A Land Rover, marca irmã da Jaguar, continua dependendo sobretudo da rentabilidade de Range Rover e Range Rover Sport, seus dois modelos mais caros. Isso pode tornar mais interessante concentrar esforços nesses SUVs do que disputar faixas inferiores com Evoque e Discovery Sport.

A Porsche também busca modelos mais exclusivos sem deixar os segmentos em que já atua. A marca dá mais peso ao 911 e a versões mais potentes e caras, e trabalha para elevar em cerca de 20%, no médio prazo, o preço médio de seus modelos de topo, inclusive com mais possibilidades de personalização.

O que isso significa para o Brasil

No Brasil, a perda de espaço dos modelos de entrada da Land Rover já aparece na gama. O Evoque completou seu calendário de produção em Itatiaia (RJ) em 2026 e está fora da oferta, sem decisão sobre 2027. O fim do Discovery Sport no país é definitivo, conforme confirmou João Oliveira, diretor-presidente da JLR na América Latina e no Caribe, ao Motor1 Brasil.

Os cerca de 81 mil carros vendidos no mundo em 2025 dentro do recorte analisado são uma parcela pequena dos aproximadamente 90 milhões de veículos comercializados no período. Ainda assim, sedãs, cupês, conversíveis e SUVs exclusivos podem gerar lucros expressivos para suas fabricantes, seguindo a lógica de que, às vezes, menos é mais.

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