segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Fiat, 50 anos: antes da Strada, Fiorino Trekking já queria ser picape de passeio

Para celebrar seus 50 anos no Brasil, a Fiat resolveu olhar para o passado. A marca vem reunindo e ampliando um acervo de modelos históricos, e a primeira parte da série mostra como as picapes pequenas ganharam, aos poucos, um apelo que ia além do trabalho. Nesse caminho, a Fiorino Trekking, de meados dos anos 90, já ensaiava a proposta aventureira que a Strada ampliaria depois, com mais espaço e equipamentos.

Um acervo para contar o que deu certo e o que nem tanto

Além de lançamentos como o Argo X, previsto ainda para 2026, a Fiat vem preservando exemplares que ajudam a contar a trajetória da empresa. A exemplo do que a Volkswagen já faz por aqui, a italiana quer dar mais visibilidade a esses carros. Diferentemente da rival alemã, porém, ainda não tem um espaço dedicado apenas a eles, o que está nos planos para o futuro, junto com a inclusão de outros modelos que marcaram época, como o Marea.

A maior parte do acervo ainda está em restauro, mas a marca disponibilizou parte dele para que a imprensa pudesse andar nos carros. A série começa pelas picapes, porque poucos tipos de veículo deram tanto retorno à Fiat no Brasil. A Strada terminou 2025 como o veículo mais vendido do país pelo quinto ano consecutivo e já se encaminha para repetir o feito em 2026. Sua história, porém, tem raízes anteriores ao lançamento, em 1998.

Do 147 de caçamba à Fiorino Trekking

A primeira tentativa veio em 1978, quando a Fiat colocou uma caçamba no pequeno 147 e inaugurou, no Brasil, o segmento das picapes leves derivadas de automóveis. Para comerciantes e prestadores de serviço, era uma forma de transportar carga sem comprar uma caminhonete grande. Além disso, o modelo aproveitava a mecânica de um carro já conhecido e era mais fácil de manobrar em lugares pequenos e centros urbanos. Dali vieram a City e, depois, a picape da família Uno, que assumiria o nome Fiorino.

A Saveiro, principal rival, chegou em 1982 com uma imagem mais jovem e descolada, voltada também ao público surfista. Já a Fiat e a maior Ford Pampa tinham propostas mais ligadas ao trabalho.

Com a Trekking, lançada em meados de 1995, a Fiat começou a dar outra aparência à Fiorino, com suspensão mais alta e pneus de perfil elevado. Ela continuava com tração dianteira, mas tentava atrair quem gostava da ideia de sair do asfalto sem comprar um 4x4. A unidade azul do acervo mantém a frente quase igual à de um Uno da época, com faróis retangulares, grade estreita e para-choque preto sem pintura. Acima da cabine, dois faróis auxiliares presos a uma estrutura tubular completam o visual.

A Trekking antecipava a combinação de carro conhecido, alterações relativamente simples e aparência aventureira que a Fiat exploraria depois na linha Adventure. Seu limite estava dentro da cabine: a Fiorino levava motorista e um acompanhante, o que dificultava seu uso como único carro de uma família maior.

Strada: cabine estendida, cabine dupla e a geração atual

Quando apareceu, em 1998, a Strada levou a picape da Fiat para a família Palio. A cabine estendida, lançada no ano seguinte, permitia levar bolsas e outros objetos atrás dos bancos, protegidos da chuva. A cabine dupla veio em 2009, e a terceira porta do lado direito, em 2013, facilitando o acesso ao banco traseiro.

O espaço extra para passageiros cobrava seu preço na caçamba, mas o comprador passou a escolher o que lhe fazia mais falta. Essa é a principal distância entre Fiorino e Strada: o apelo de passeio deixou de depender principalmente da aparência e passou a resolver necessidades reais.

A segunda geração, lançada em 2020, trouxe quatro portas e cinco lugares na cabine dupla, além de um visual bem diferente. O parentesco com o Palio ficou para trás, e o projeto passou a aproveitar componentes de outros Fiat, incluindo o Mobi, com inspiração na Toro para parecer maior e mais cara. O câmbio automático CVT chegou em 2021, e o motor 1.0 turbo T200, em 2023. A Fiat manteve ainda as versões mais simples e a cabine de duas portas, para quem precisa de mais caçamba e menos banco.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Essa combinação ajudou a Strada a liderar as vendas no Brasil, atendendo tanto quem depende da picape para trabalhar quanto quem simplesmente prefere ter uma na garagem. É esse segundo público que a concorrência quer disputar, como a futura Volkswagen Tukan, prevista para 2027. Os próximos passos da Fiat ainda não são conhecidos, mas a picape já se prepara para uma nova geração até o fim da década, que desta vez será derivada do principal hatch da marca e pode ter alcance global.

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