Ao longo de seus 50 anos de atuação no Brasil, a Fiat lançou modelos que ajudaram a criar e consolidar nove segmentos do mercado automotivo nacional. A trajetória vai do 147 Furgão, veículo comercial compacto, a picapes com propostas distintas, como Strada e Toro, passando por carros populares, esportivos com motor turbo de fábrica e modelos com visual aventureiro.
Comerciais e picapes: do 147 Furgão à Strada
A história começou em 1977, com o Fiat 147 Furgão, também conhecido como Furgoneta. Derivado do hatch, ele eliminava o banco traseiro e os vidros laterais posteriores para ampliar o espaço de carga. O compartimento oferecia 1.160 litros e suportava até 420 quilos, atendendo empresas que precisavam de um compacto para entregas urbanas e assistência técnica. O modelo usava motor de 1.049 cm³, com 55 cv, e foi sucedido pelo Uno Furgão, em 1988, e pelo Novo Uno Furgão, em 2013.
Em 1978, veio a 147 Pickup, considerada a primeira picape leve derivada de automóvel produzida no Brasil. Em 1981, passou a usar a plataforma da perua Panorama e ganhou o nome Fiorino Pickup. A evolução do conceito resultou na Fiorino derivada do Uno, em 1988, e na Strada, lançada em 1998. Segundo números citados pela Fiat, a Strada lidera o mercado brasileiro de veículos há quase seis anos consecutivos e foi a mais vendida da América do Sul em 2025, com mais de 150 mil unidades.
Em 1980, o 147 Fiorino foi o primeiro furgão brasileiro derivado de uma picape leve, com carroceria fechada do tipo baú, 2.500 litros de capacidade de carga e carga útil de 420 quilos. Renovado em 2025, o utilitário, de acordo com a fabricante, lidera as vendas de sua categoria há mais de 20 anos.
Populares e esportivos turbo
Em 1990, o Uno Mille ajudou a estabelecer o segmento de carros populares com motor 1.0. Com motor de 994 cm³ e 48 cv, chegou num momento de mudanças tributárias: a redução do IPI de 37% para 20% foi integralmente repassada ao preço, e o modelo se tornou o carro mais barato do país. Em 1993, o governo zerou o IPI para motores 1.0, dentro da política do Carro Popular. Em 2001, esses motores chegaram a representar 70% das vendas de automóveis no Brasil e, segundo dados da Anfavea citados pela Fiat, responderam por 54% entre janeiro e setembro de 2026. A proposta influenciou Palio (1996), Novo Uno (2010) e Mobi (2016), que desde 2021 figura entre os dez mais vendidos do país.
A Fiat também abriu caminho para os esportivos com turbo de fábrica. Em 1994, o Uno Turbo chegou com motor 1.4 turbo de 118 cv e velocidade máxima superior a 190 km/h. Dois meses depois, veio o Tempra Turbo, com motor 2.0 turbo de 165 cv e 220 km/h. Na sequência vieram Marea Turbo, Marea Weekend Turbo, Linea T-Jet, Punto T-Jet, Bravo T-Jet e 500 Abarth. Hoje, a linha esportiva é representada por Pulse Abarth e Fastback Abarth.
Aventureiros, cabines e a Toro
Em 1999, a Palio Adventure ajudou a criar o segmento de automóveis com visual aventureiro, sem a estrutura e os custos de um utilitário com tração 4x4. Derivada da Palio Weekend, tinha suspensão elevada em 40 milímetros, pneus 175/80 R14 e motor Sevel 1.6 de 106 cv. O conceito chegou à Strada Adventure (2002), ao Doblò Adventure (2003) e ao Idea Adventure (2006), que depois receberam o sistema Locker, lançado em 2008. Hoje, a identidade segue em Mobi Trekking e Argo Trekking.
A Strada também foi marcada pela versatilidade. Em 1999, introduziu a cabine estendida na categoria, com cerca de 30 centímetros adicionais de espaço interno. Em 2009, chegou a cabine dupla, aproximadamente 55 centímetros maior que a cabine convencional, que recebeu uma terceira porta em 2013. Ambas permanecem na atual Strada, nas versões cabine plus e cabine dupla.
Em 2016, a Toro inaugurou no Brasil a proposta de Sport Utility Pick-Up (SUP). Desenvolvida no país, adota construção monobloco e suspensão traseira independente, posicionando-se entre as picapes compactas e as médias. A Fiat informa que ela lidera seu segmento há dez anos consecutivos e já ultrapassou 650 mil unidades produzidas.
Para o mercado brasileiro, os 50 anos da Fiat mostram como soluções pensadas para necessidades locais, como custo de aquisição, versatilidade e uso específico, viraram segmentos duradouros. Parte dessas ideias segue viva em Strada, Fiorino, Mobi, Argo Trekking, Pulse Abarth, Fastback Abarth e Toro.
