A Stellantis quer que o próprio carro descubra o combustível adulterado e aponte o posto onde ele foi vendido. A dona de Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën pediu ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a patente de um sistema capaz de identificar possíveis irregularidades no combustível e enviar os dados à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O pedido foi revelado pela revista Veja.
Como o sistema funcionaria
A tecnologia usa informações da central de injeção eletrônica para detectar alterações no funcionamento do motor depois do abastecimento. Quando identifica sinais compatíveis com problemas na qualidade do combustível, o sistema cruza esses dados com as coordenadas registradas pelo GPS do veículo para chegar ao posto onde o carro foi abastecido.
A proposta prevê um alerta no painel, que orienta o motorista a evitar o uso prolongado do carro até que o problema seja avaliado. Ao mesmo tempo, a conectividade do veículo poderá enviar à ANP um relatório com dados técnicos e a localização do posto.
Um alerta não é prova de fraude
A falha detectada, porém, não comprova sozinha a adulteração nem a culpa do posto: a confirmação depende de análises adicionais. Mesmo assim, saber onde o carro foi abastecido pode ajudar na investigação e na cobrança do conserto, já que combustível com água ou substâncias inadequadas provoca falhas de combustão e danifica componentes como bombas e injetores.
Um problema conhecido dos motoristas brasileiros
A adulteração de combustível é uma preocupação real no país. Em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto apontou fraudes em mais de 300 postos ligados a um esquema com participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), com amostras de gasolina com até 90% de metanol — o limite legal é de 0,5%.
Por outro lado, 98,1% das amostras analisadas pela ANP em 2024 estavam dentro das especificações, segundo a agência.
O que ainda falta
- Por se tratar de um pedido de patente, o projeto ainda passará pela análise do INPI antes de uma possível produção em série.
- A Stellantis não anunciou data de lançamento.
- A empresa também não confirmou quais modelos receberão o sistema.
Para o mercado brasileiro, a ideia indica um caminho em que o próprio veículo ajuda a fiscalizar a qualidade do combustível, dando ao motorista mais informação para agir e às autoridades dados técnicos com localização. Por ora, é apenas um pedido de patente, e sua chegada às ruas depende da análise do INPI e de decisões que a Stellantis ainda não divulgou.
