sábado, 24 de outubro de 2026

Kombi 1962 “Anastácia”, em salmão e Cinza Nardo com 1.400 cristais Swarovski, é vendida por R$ 215 mil

Uma Volkswagen Kombi de 1962 transformada por um projeto de personalização reúne características de clássico e detalhes incomuns para o utilitário. Batizada de "Anastácia", a unidade recebeu pintura nas cores salmão e Cinza Nardo, teto Rag Top e aproximadamente 1.400 cristais Swarovski verdadeiros, de origem austríaca, aplicados manualmente, um a um. Ela está à venda na loja Lart, na capital paulista, por R$ 215 mil.

Uma T1 com visual personalizado

O exemplar pertence à primeira geração da Kombi, conhecida no Brasil como Corujinha por causa do formato da dianteira e dos faróis. A proposta combina acessórios associados aos veículos antigos com intervenções estéticas que diferenciam a unidade de outras T1 preservadas ou restauradas.

Segundo a descrição do projeto, a pintura foi refeita especialmente para o veículo, assim como a aplicação dos cristais na carroceria. Entre os equipamentos externos, a lista inclui:

  • teto Rag Top, que permite abrir parte da cobertura;
  • vidros dianteiros do tipo Safari, com molduras cromadas;
  • quatro janelas basculantes;
  • para-choques metálicos vincados e faróis originais;
  • indicadores de direção dianteiros conhecidos como "tetinhas";
  • bagageiros dianteiro e traseiro na cor prata, com escada lateral.

Na traseira, as pequenas lanternas características do modelo foram mantidas, com lentes novas. As rodas aro 15, de origem alemã, receberam pintura salmão e calotas cinza, enquanto os logotipos da Volkswagen foram pintados à mão em preto. Pneus novos com faixas brancas completam o conjunto visual.

Interior em couro marrom e mecânica tradicional

Por dentro, o interior recebeu tapeçaria de luxo completa na cor marrom, com bancos dianteiros inteiriços e tapetes do tipo bucle. No painel, o destaque é o velocímetro Horasa com ponteiro de acrílico. O volante traz botão da buzina e chave de setas pretos, e o sistema elétrico foi renovado com a instalação de um chicote novo.

Na parte mecânica, a Kombi utiliza motor de 1.500 cm³ com carburação simples. A descrição do veículo não esclarece se o propulsor é o mesmo instalado na fábrica em 1962, portanto não é possível confirmar a originalidade do conjunto. A configuração informada, no entanto, mantém a proposta mecânica tradicional do modelo.

A trajetória da Kombi no Brasil

A história da Kombi no país começou em 1953, quando a Volkswagen iniciou suas operações com a montagem de veículos a partir de componentes importados, em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Em 2 de setembro de 1957, o utilitário se tornou o primeiro modelo da marca produzido no Brasil com componentes nacionais, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Ao longo das décadas, a Kombi conquistou espaço no transporte de passageiros e cargas, atendendo a famílias, comerciantes, empresas e prestadores de serviços. A carroceria versátil, a mecânica relativamente simples e a capacidade de adaptação a diferentes atividades ajudaram a consolidar o modelo nas ruas e estradas brasileiras.

A primeira geração, conhecida como T1 ou Corujinha, ganhou reconhecimento pelo desenho arredondado da dianteira e pelo para-brisa dividido. O modelo de 1962 pertence a essa fase inicial, anterior às mudanças visuais que marcaram os anos seguintes. A produção brasileira terminou em 18 de dezembro de 2013, após 56 anos de fabricação nacional, com a série especial Last Edition, limitada a 1.200 unidades.

O que ainda não se sabe

Os cerca de 1.400 cristais são o principal diferencial do projeto, que preserva referências visuais da Kombi antiga, mas se afasta da configuração original de fábrica. Não foram informados dados sobre o custo da personalização, o histórico completo de restauração ou o valor de mercado do exemplar.

Para o mercado brasileiro, a "Anastácia" mostra o interesse que as Kombis da fase inicial ainda despertam entre colecionadores e entusiastas, sobretudo quando conservam componentes característicos do período. O anúncio de R$ 215 mil coloca em evidência uma versão que combina itens de época com uma interpretação personalizada de um dos veículos mais longevos da indústria automobilística nacional.

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