terça-feira, 27 de outubro de 2026

Novo Toyota MR2 ou novo Celica? Hyundai reconhece falha em motor turbo e mais

A seleção diária de notícias do FlatOut traz um protótipo da GR Racing que reacende a dúvida entre a volta do Toyota MR2 e a do Celica, o reconhecimento pela Hyundai de uma falha no sistema de arrefecimento de HB20 e Creta turbo, o alerta do presidente da Chery sobre o prejuízo das fabricantes chinesas, a manutenção do Fiat Fastback atual após a chegada do Grizzly e a mudança de sede do Rali Dakar de 2027.

Toyota: protótipo de motor central-traseiro em testes no Japão

Um novo protótipo de motor central-traseiro da GR Racing, divisão esportiva e de competição da Toyota, está em testes no Japão. O carro foi fotografado e filmado por paparazzi no circuito internacional de Okayama.

A silhueta é praticamente idêntica à do conceito "WRC27", visto há alguns meses. Aquele carro tinha suspensão elevada e pneus mais bifudos, como se espera de um protótipo de rali. O flagrado agora tem para-lamas ligeiramente diferentes, suspensão mais baixa e rodas de maior diâmetro com pneus mais largos, características de um carro feito para o asfalto. Grade, faróis e lanternas quase com certeza são emprestados do Toyota GR Yaris.

É como se o conceito Yaris M, que começou com a carroceria hatchback quase inalterada e o motor atrás dos bancos, estivesse se transformando num cupê de motor central-traseiro, mais baixo, mais longo e mais invocado. O motor é o quatro-cilindros turbo G20, de dois litros, que entrega entre 400 cv e 450 cv.

Resta saber como a Toyota chamará a versão de rua, já dada como certa. O teste nos ralis favorece o nome Celica, enquanto a configuração mecânica e a origem no Yaris apontam para o retorno do MR2. A marca não dá pistas.

Hyundai reconhece falha de arrefecimento em HB20 e Creta 1.0 T-GDI

A Hyundai reconheceu uma falha no sistema de arrefecimento dos modelos HB20 e Creta com motor 1.0 T-GDI e câmbio automático, que pode causar superaquecimento do motor e até problemas na transmissão. A informação foi apurada pela Quatro Rodas, que encontrou um documento técnico enviado pela fabricante às concessionárias em dezembro de 2023, com orientações para identificar e reparar o defeito.

O problema ocorre nas galerias internas do radiador, que também abriga um trocador de calor para o fluido da transmissão automática. Uma falha na separação dos circuitos permite que o líquido de arrefecimento se misture ao óleo do câmbio, contaminando os dois sistemas. Com isso, o motor pode superaquecer e, nos casos mais graves, a transmissão pode apresentar trancos e códigos de falha.

A reportagem partiu de relatos de proprietários de HB20, HB20S e Creta que notaram redução repentina do nível do líquido de arrefecimento, perda de potência e acionamento da luz da injeção. Alguns afirmam que os carros voltaram várias vezes às concessionárias até a causa ser identificada. Há ainda relatos de trincas no bloco e vazamento de líquido para a câmara de combustão, mas o documento trata especificamente da mistura entre o fluido do câmbio e o líquido de arrefecimento, sem estabelecer que essas outras falhas tenham a mesma origem.

O documento, de código HSP21-12-Z095-BR2SU2b, tem 18 páginas e foi distribuído em 4 de dezembro de 2023. Ele não delimita anos de fabricação nem números de chassi e se aplica aos HB20 e Creta com motor Kappa 1.0 T-GDI e transmissão automática que apresentarem o defeito.

Questionada, a Hyundai confirmou que identificou o problema em algumas unidades em 2023 e disse que realiza os reparos em garantia, sem custo aos proprietários. A fabricante afirma que os atendimentos vêm diminuindo desde 2024, classifica a ocorrência como pontual e diz que a rede está orientada a atender os casos. Não divulgou quantos carros foram afetados nem quais anos-modelo concentram as ocorrências.

Mercado: crise na China, Fiat Grizzly e Dakar fora da Arábia Saudita

O presidente da Chery International, Zhang Guibing, afirmou a jornalistas australianos e neozelandeses que cerca de 90% das fabricantes chinesas operam no prejuízo e que muitas desaparecerão nos próximos anos. Para ele, os custos de desenvolvimento cresceram, já que as marcas precisam investir continuamente em eletrônica, baterias, software e propulsão, justamente quando a guerra de preços reduz as margens.

Um estudo da AlixPartners mostrou que apenas três das 30 fabricantes chinesas de eletrificados analisadas fecharam 2025 com lucro, e que só sete devem alcançar o equilíbrio financeiro até 2030. O levantamento não cobre todo o universo citado por Zhang. A Chery opera nove marcas, incluindo Omoda, Jaecoo e Jetour, que estão chegando ao Brasil. Segundo Zhang, a diferenciação virá mais da identidade de cada marca do que dos carros.

No Brasil, a Fiat deverá manter o Fastback atual em produção depois do lançamento do Grizzly Fastback, previsto para 2027, segundo o jornalista Jorge Moraes. A ideia é repetir a estratégia planejada para Argo e Argo X: dois modelos nas concessionárias, com o novo em faixa de preço superior. O Fastback vendeu 57.297 unidades em 2025 e acumulou 39.828 emplacamentos até setembro deste ano, segundo a Fenabrave. A Fiat ainda não confirmou motorizações, preços nem cronograma dos modelos brasileiros.

Já o Rali Dakar de 2027 não será disputado na Arábia Saudita, por preocupações de segurança ligadas a ataques dos rebeldes Houthis do Iêmen. A decisão é da ASO e da Saudi Motorsport Company. A prova estava marcada para 1º a 15 de janeiro. O novo local será anunciado nos próximos dias, com relatos de mudança para a África, e a corrida volta ao país em 2028, para a 50ª edição.

Para o mercado brasileiro, o recado é de atenção: proprietários de HB20 e Creta turbo automáticos devem ficar atentos aos sintomas descritos e, se necessário, acionar a concessionária. Quem acompanha as marcas chinesas vê a pressão financeira por trás da chegada de novos nomes ao país. E a Fiat sinaliza uma linha de SUVs mais ampla, sem abandonar o Fastback atual.

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