A HWA, empresa fundada por Hans Werner Aufrecht (o "A" da AMG), divulgou um teaser de seu próximo projeto, que pode ser uma releitura do AMG Hammer. Na seleção de notícias do dia, também entram a estratégia da Porsche de vender menos e cobrar mais, os elogios do CEO da Ferrari ao Tesla Roadster, a volta da Indy à Europa, um novo motor Toyota para o GR86 e o avanço da BYD em Camaçari.
HWA mostra silhueta que lembra o Hammer
A imagem publicada nas redes sociais mostra apenas a silhueta de um sedã que parece ser baseado no Mercedes W124, com linhas muito semelhantes às do Hammer original. A HWA não revelou nome nem detalhes, mas disse que, depois do HWA Evo, está revisitando outro capítulo importante de sua história.
O Hammer original ajudou a construir a reputação da AMG. A primeira versão usava o V8 M117 de 5,6 litros, com novos cabeçotes de 32 válvulas e dois comandos por bancada, e produzia cerca de 360 cv. Depois a cilindrada subiu para seis litros, e a potência chegou a aproximadamente 385 cv. O W124 original tinha no máximo seis cilindros e 180 cv. O resultado era um sedã capaz de chegar perto dos 300 km/h.
O HWA Evo é uma reconstrução do 190E 2.5-16 Evolution II. Tem carroceria de fibra de carbono, chassi reforçado, suspensão redesenhada e um V6 biturbo de três litros com mais de 500 cv, ligado a um câmbio manual de seis marchas. Serão apenas 100 exemplares, e três deles viraram carros de corrida para as 24 Horas de Nürburgring.
Ainda não há confirmação de que o novo projeto seja o Hammer. Ele também pode ser baseado no 500E. A HWA prometeu mais detalhes nas próximas semanas.
Porsche quer vender menos e lucrar mais
Depois de apresentar o conceito Mission S, a Porsche deixou clara sua estratégia para estancar a queda nos lucros: vender menos carros e cobrar bem mais pela exclusividade. A meta é baixar o ponto de equilíbrio para menos de 200.000 veículos por ano, reduzindo a dependência de SUVs de entrada, como o Macan.
A aposta passa pela divisão de customização Sonderwunsch. Segundo Alexander Fabig, vice-presidente de Individualização e Clássicos, a marca trabalha em 15 projetos one-off feitos sob medida, com preços entre US$ 2 milhões e US$ 15 milhões. A Porsche também estuda modelos "few-off", de tiragem curtíssima, situados entre as séries limitadas e as encomendas exclusivas.
O programa de restauração de fábrica atrai donos do Carrera GT, que pagam entre US$ 500 mil e US$ 800 mil para refazer o V10 e a mecânica, personalizar o acabamento e zerar o hodômetro. Das 1.270 unidades produzidas na década de 2000, 48 já passaram, estão na fila ou em processo de restauração, quase 4% da produção. A marca ainda estuda versões de topo do 911 na casa dos US$ 400 mil, o triplo de uma versão de entrada.
Ferrari, Indy, Toyota e BYD
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, deu nota 10 ao Tesla Roadster e à apresentação do carro no Texas, durante uma conferência da revista Quattroruote. Para o executivo, o show mostra que a indústria ainda pode ousar. Vigna também destacou as parcerias da Tesla em engenharia e design, um paralelo com a Ferrari, que entregou o visual de seu primeiro elétrico, o Luce, ao estúdio LoveFrom, de Jony Ive.
A Indy confirmou o Grande Prêmio de Barcelona em 18 de julho do ano que vem, no Circuito de Barcelona-Catalunya. Será a primeira vez da categoria fora da América do Norte desde a Indy 300 no Anhembi, no Brasil, entre 2010 e 2013. Na Europa, a última passagem foi em Assen, na Holanda, em 2007. O acordo é plurianual, mas ainda não se sabe se a etapa valerá pelo campeonato ou será uma exibição.
A Toyota mostrou, na etapa de Okayama da Super Taikyu, o GR86 Future FR Concept com um novo quatro-cilindros aspirado de 2,0 litros, o G20E. Segundo a imprensa japonesa, ele rende aproximadamente 200 a 220 cv, menos que o boxer 2.4 de 235 cv do GR86 atual. Os engenheiros dizem que a ausência de turbo melhora as respostas do acelerador e permite uma dianteira mais leve. Não há confirmação de que o motor será usado no próximo GR86.
A BYD concluiu as obras dos galpões de soldagem e pintura em Camaçari, na Bahia, e iniciou testes operacionais. A estamparia ainda está em construção. A transição para fabricar carrocerias no país está prevista para o começo de 2027. A fábrica monta Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2, com capacidade instalada de 150.000 veículos por ano. A meta é iniciar 2027 com mais de 50% de componentes nacionais, mas a empresa não divulgou o índice atual nem a metodologia. Além disso, as cotas de importação de kits CKD e SKD com imposto zero terminam em dezembro de 2026. A partir de janeiro, os kits CKD estarão sujeitos à alíquota de 35% do Imposto de Importação.
O que isso significa para o Brasil
Para o mercado brasileiro, o movimento mais concreto é o da BYD. Soldagem e pintura são etapas importantes, mas a nacionalização depende também da origem de motores, baterias, eletrônica e suspensão, e a marca ainda precisa comprovar o percentual prometido. Já a Indy, a Porsche, a Toyota e a HWA indicam um mercado de entusiastas em que exclusividade, motores e releituras históricas seguem no centro das atenções.
