Terminada a eleição, o que sobra das campanhas são as propagandas coladas nos veículos, e nas motos a remoção desses adesivos exige cuidado extra. Arrancar "na marra" pode despedaçar o adesivo, deixar a cola grudada na pintura e transformar um serviço simples em retrabalho. Segundo o engenheiro, perito e especialista em estética automotiva Cleber Bertotto, proprietário da Tuio Car Detail, o segredo está em escolher e aplicar o produto certo.
O produto certo faz a diferença
De acordo com Bertotto, hoje é fácil comprar um produto específico para remoção de material colante. O problema é a escolha e a aplicação erradas. Há muitos produtos no mercado que oferecem esse tipo de serviço, mas alguns agridem a pintura a ponto de exigir repintura.
O que resolve não é força nem produto agressivo. O removedor de cola e piche age amolecendo o adesivo até ele soltar sozinho, sem precisar raspar nada. Já os produtos ácidos da estética automotiva servem para outras funções, como a limpeza pesada de roda, e os desengordurantes servem para gordura. Nenhum dos dois foi feito para cola, e ambos podem manchar pintura e plástico.
Por que a moto exige mais cuidado
Na moto, o cuidado é maior que no carro, porque quase tudo que leva adesivo é plástico. O removedor deixado por tempo demais ataca o verniz da carenagem. Nas peças pretas sem pintura, como paralama, protetores e tampas, o produto pode ressecar e deixar a superfície esbranquiçada.
Entre os erros mais comuns estão o uso de estiletes, lâminas, palha de aço e esponjas de louça, principalmente o lado verde. Todos arranham ou lixam a pintura da moto. O álcool também entra na lista de vilões: ele tira a cola, mas pode acabar manchando a pintura.
Adesivo barato, marca e polimento
- Tipo de adesivo: a marca deixada depende do material colado. Segundo Bertotto, existem muitos tipos de cola, e o adesivo mais caro, geralmente não usado em campanhas, não deixa marca e sai fácil.
- Padrão eleitoral: costuma ser o adesivo mais barato. Se tem base de papel, ele vai esfarelando, e por isso é preciso cuidar do modo de remoção.
- Marca na pintura: é menos provável do que se imagina, exceto quando a pintura é recente e o adesivo foi colado por cima. Nesse caso, o especialista indica um polimento qualificado.
Quem começa a remoção do jeito errado costuma sofrer mesmo depois de tirar todo o adesivo. Nessas situações, segundo Bertotto, os mesmos produtos específicos que deveriam ter sido usados desde o início resolvem. Em casos mais teimosos, entra um polimento leve.
É preciso não confundir esse polimento com esfregar qualquer coisa na pintura. Polir é remover uma camada microscópica de verniz de forma controlada, com massa e boina adequadas. Esponja, palha de aço ou lixa não fazem isso e causam estrago.
Para o motociclista brasileiro, a lição é direta: a remoção depende da situação, e em alguns casos será simples, enquanto em outros exigirá mais trabalho. O próprio Bertotto lembra que não existe receita mágica e recomenda, para quem não sabe ou não se sente seguro, procurar uma estética automotiva para fazer a remoção da forma correta e evitar prejuízo na pintura.
