Uma viagem de carros antigos do Brasil até a Autoclásica, na Argentina, nunca é só uma viagem. Na primeira parte do relato publicado originalmente pelo FlatOut, o autor conta como, depois de anos adiando o plano, finalmente embarcou numa expedição com um Chevrolet Chevette 1982, um Volkswagen Gol CL 1992 e um Triumph GT6 1972, cruzando o Sul do Brasil, o Uruguai e o Rio da Prata. Antes de chegar a Buenos Aires, o grupo enfrentou problemas mecânicos, burocracia de fronteira e até a despedida de Messi da seleção argentina.
Um plano adiado por quatro anos
O autor tentava ir à Autoclásica, que acontece em San Isidro, havia pelo menos quatro anos. Em 2022 decidiu em cima da hora e não conseguiu organizar a viagem. Em 2023 mudou de cidade, em 2024 preferiu economizar e em 2025 simplesmente não se planejou. Na lista de desejos também estava o Museu Fangio, em Balcarce, a algumas centenas de quilômetros de Buenos Aires, o que exige planejamento adicional.
A solução veio de uma expedição organizada por dois Pedros, da ACE e do Driven by Mazza. O pacote combinava a viagem internacional, a Autoclásica e experiências exclusivas em Balcarce: visita à Crespi Competição, fabricante de carros de corrida fundada por Tulio Crespi nos anos 1960, e ao museu da Fundação Fangio, com a chance de dirigir carros históricos. A hospedagem seria no Casco de Fangio, que pertence à fundação e foi construído na propriedade comprada para o pentacampeão descansar. O FlatOut participou como parceiro de mídia.
Os carros e o roteiro
A expedição saiu de São Paulo em 3 de outubro, seguindo pelo Sul do Brasil, atravessando o Uruguai até Colonia del Sacramento e cruzando o Rio da Prata de ferry até Buenos Aires. Depois, o grupo seguiria para Balcarce e só então voltaria à capital argentina para os quatro dias da Autoclásica.
Os carros eram dos próprios participantes, também assinantes do FlatOut: o Chevette, o Gol CL com motor 1.8 e o Triumph GT6. Um Volkswagen Golf Variant fazia o papel de apoio. Os organizadores levavam ainda dois esportivos brasileiros do acervo do Dream Car Museum, de São Roque: um Concorde 1979 e um Hofstetter Turbo automático, exemplar único com essa configuração, transportados em plataformas.
Imprevistos do Brasil ao Uruguai
Já no segundo dia, entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, o Triumph apresentou problema elétrico, causado por um terminal solto do alternador. Perto de Porto Alegre surgiu um ruído no eixo traseiro. Com ajuda da rede de leitores do FlatOut, o grupo chegou a um mecânico, e constatou-se que o rolamento fora danificado, aparentemente por montagem incorreta anterior. Marco, dono do Triumph, ficou na capital gaúcha para consertar o carro. Enquanto isso, o Gol precisou ser guinchado por falha na bomba de combustível e o Chevette teve problemas no carburador.
Na fronteira, os guinchos brasileiros não podiam operar no Uruguai, então os dois clássicos atravessaram a Ponte Internacional Barão de Mauá rodando e passaram pela aduana, com cerca de uma hora de espera. No dia seguinte, o Hofstetter, movido a etanol, reclamou do frio, o grupo perdeu o ferry das nove da manhã e descobriu que as Cartas Verdes dos dois esportivos não cobriam a Argentina. O Concorde conseguiu a cobertura por meio de um corretor parceiro; o Hofstetter, por ser raro demais para as bases das seguradoras, exigiu a contratação, bem mais cara, de um seguro uruguaio.
Buenos Aires, Balcarce e a chegada do Triumph
Na Argentina, a travessia foi tranquila, mas coincidiu com a partida de despedida de Messi da seleção, e os guincheiros contratados desistiram do serviço. Os dois esportivos foram rodando até a oficina em San Isidro, enfrentando trânsito e até um bloqueio acidental numa praça de pedágio. O Hofstetter chamou atenção de spotters locais, incluindo a página Exóticos en Argentina.
O grupo seguiu para Balcarce pela Ruta Provincial 2 e chegou ao Casco de Fangio perto da meia-noite, recebido com um asado. Por volta das 4h da manhã, chegou também o Triumph: Marco e o pai percorreram cerca de 1.100 quilômetros em aproximadamente 20 horas, depois de consertar os rolamentos em Porto Alegre.
Para o entusiasta brasileiro, o episódio reforça que carro antigo exige preparo e manutenção, mas não é incapaz de viajar. A segunda parte do relato deve cobrir a Crespi, o autódromo de Balcarce e a experiência com os carros de corrida.
