O Toyota RAV4 2026 mostrou bom desempenho nos testes do IIHS, o Instituto de Seguros para Segurança Rodoviária dos Estados Unidos, mas não conseguiu um boletim impecável. O motivo está na proteção dos passageiros da segunda fileira, que ficou abaixo do esperado na colisão frontal com sobreposição moderada.
Onde o RAV4 foi bem
No geral, o crossover híbrido compacto da Toyota teve um resultado sólido. A célula de segurança, estrutura que protege os ocupantes, se comportou bem na maioria dos impactos. Os sistemas de assistência ao motorista, que vêm de série, funcionaram como deveriam, e os faróis receberam nota "bom" em todos os critérios.
- Tecnologia de prevenção de colisões frontais: "bom"
- Alerta de cinto de segurança: "bom"
- Sistema de fixação de cadeirinhas infantis: "bom"
- Teste de impacto lateral, recentemente atualizado: "bom"
- Colisão frontal com pequena sobreposição: "bom"
Neste último teste, apenas 25% da frente do carro atinge uma barreira totalmente rígida, com borda arredondada de aço. É uma batida difícil para qualquer veículo, porque a força se concentra numa área pequena.
O problema na sobreposição moderada
A dificuldade apareceu na colisão frontal com sobreposição moderada. Nela, 40% da largura do carro bate contra uma barreira coberta por uma camada deformável de alumínio em formato de colmeia, que simula o choque contra outro veículo. A velocidade é a mesma do teste de pequena sobreposição, mas o cenário reproduz uma das batidas mais comuns do dia a dia.
A versão atualizada dessa avaliação dá muito peso à segurança de quem viaja atrás, e foi aí que a nota caiu para "aceitável". Para o motorista, o resultado foi bom: proteção contra lesões, estrutura e célula de segurança receberam "bom".
No banco traseiro, porém, o boneco de testes teve resultados mais fracos. Cabeça e pescoço ficaram com "aceitável", assim como tórax, movimentação do manequim e desempenho dos cintos. Só a proteção das coxas levou "bom".
Cintos traseiros e o caso do plug-in
As imagens do teste ajudam a explicar o resultado. A faixa do cinto que passa pelo ombro subiu além do ideal, o que reduz a eficiência da retenção. Em compensação, a parte abdominal do cinto ficou no lugar certo, apoiada sobre a pelve.
Já no RAV4 PHEV, o híbrido plug-in, que pode ser recarregado na tomada, o cinto abdominal do passageiro traseiro saiu da pelve e foi parar na parte baixa do abdômen. Nos demais testes, ele repetiu os bons resultados do híbrido convencional, mas no teste de sobreposição moderada levou nota "marginal", um degrau abaixo.
A posição importa: na desaceleração brusca de uma batida, o corpo é jogado para a frente com muita força, e o cinto nessa posição pressiona os órgãos internos contra a coluna. Além da compressão, há risco de rompimento de vasos sanguíneos.
O que isso significa para o mercado brasileiro
O resultado não faz do RAV4 um carro inseguro: na frente ele protege muito bem, e o pacote de tecnologia é completo. Ainda assim, quem costuma transportar passageiros no banco de trás deve conhecer o detalhe, e a Toyota poderia ter caprichado mais no projeto e na calibração dos cintos traseiros. Para o consumidor brasileiro, o teste serve de lembrete de que a segurança da segunda fileira merece tanta atenção quanto a do motorista na hora de avaliar um SUV.
