quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Toyota prevê recorde de vendas na Europa em 2026 e rejeita guerra de preços com marcas chinesas

A Toyota projeta superar seu recorde histórico de vendas na Europa em 2026 e não pretende acompanhar a política agressiva de descontos das fabricantes chinesas para conquistar mercado. A montadora japonesa prefere priorizar o crescimento sustentável e preservar o valor residual dos veículos ao longo de todo o ciclo de vida. A projeção foi apresentada por Till Conrad, responsável pelas vendas da Toyota na Europa, em declarações à Automotive News Europe durante um evento em Bruxelas.

Recorde parcial e meta anual

A Toyota registrou 936.042 veículos emplacados nos primeiros nove meses de 2026 na região europeia, alta de 0,6% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado representa um recorde para o intervalo.

Com esse desempenho, o executivo prevê superar o volume anual de 1,23 milhão de unidades obtido no ano passado, o que levaria a marca a um novo recorde anual de vendas no continente.

Por que a Toyota evita a guerra de preços

Segundo Conrad, a busca por crescimento contínuo evita disputas de preços que prejudicam a rede de concessionárias e os proprietários. Marcas como BYD, Omoda, Jaecoo e MG disputam espaço em segmentos de grande volume e oferecem abatimentos para acelerar os emplacamentos.

O executivo destacou que reduções drásticas nos valores dos veículos novos pressionam a depreciação e afetam o mercado de usados. Por isso, a Toyota centraliza sua estratégia comercial no custo total de propriedade e na preservação do valor residual dos modelos durante todo o ciclo de uso.

Avanço chinês e o caso do RAV4

A postura da Toyota ocorre em um cenário de expansão das marcas orientais. Em setembro, as fabricantes chinesas alcançaram fatia próxima de 15% na União Europeia, no Reino Unido e nos países da EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), segundo a consultoria Dataforce.

No mesmo período, as vendas conjuntas de Toyota e Lexus cresceram 0,5%, enquanto o mercado geral avançou 6,1%. Apesar da expansão mais cadenciada que a média da indústria, a Toyota manteve a participação na maioria dos segmentos.

A principal exceção foi a categoria de SUVs médios, onde o RAV4 registra queda de 43% nas vendas em razão da transição para a nova geração. Os demais modelos da gama mantiveram trajetória estável ou variações de um dígito.

O que isso significa para o mercado brasileiro

A combinação entre renovação da gama, controle de margens e manutenção do valor residual fundamenta a operação da Toyota. Em vez de disputar volume por meio de descontos diretos, a marca busca assegurar a rentabilidade das concessionárias e o valor de revenda de seus produtos. Para o consumidor brasileiro, que também acompanha a chegada de marcas chinesas ao país, a estratégia mostra como a Toyota enxerga a preservação do valor de revenda como parte central da sua proposta diante dessa concorrência.

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