O Chevrolet Astra deixou saudade no Brasil. Disponível como hatch ou sedã, o médio da GM já foi referência no segmento e ainda tem uma legião de fãs no país. Quem pensa em comprar um exemplar usado, porém, precisa conhecer os problemas que os próprios donos relatam em sites de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui.
Um médio que virou sonho de consumo
Derivado do modelo da alemã Opel, o Astra foi vendido no Brasil entre 1994 e 2011. Durante boa parte desse período, foi o sonho de consumo de quem queria um carro espaçoso, gostoso de dirigir e com cara de "carro de gente grande".
Debaixo do capô, o modelo ficou marcado pelo motor 2.0 de oito válvulas. Ele virou flex em 2003 e, a partir de 2009, passou a entregar 140 cv com etanol e 133 cv com gasolina. No último ano de vida, o Astra era vendido só na versão Advantage. Ela trazia itens como ar-condicionado automático e retrovisor eletrocrômico, aquele que escurece sozinho para não ofuscar o motorista.
Como está o Astra no mercado de usados
Quinze anos depois de sair de linha, o Astra aparece no mercado de usados como uma opção barata de carro médio. Unidades bem cuidadas, com pouca quilometragem e revisões em dia, podem passar dos R$ 30 mil, principalmente nas versões automáticas e mais completas.
Um dos defeitos mais citados pelos donos da segunda geração é a tampa do comando de válvulas. Feita de plástico, ela perde a vedação com o calor e deixa o óleo vazar sobre o motor. Como o carro está fora de linha há bastante tempo, boa parte das queixas vem de quem comprou o Astra de segunda mão.
Infocard: o código de segurança que some
Esse é um problema típico de carro usado. O Infocard é um cartão-senha entregue junto com o carro zero. Ele reúne códigos importantes, como o número de identificação do veículo, o do imobilizador, o da chave e o do rádio. Quando o cartão se perde entre um dono e outro, fazer uma chave nova ou desbloquear o som vira uma novela.
- Um proprietário procurou a concessionária da cidade. A loja cobrou pelo serviço, mas uma semana depois avisou que a Chevrolet não tinha mais os dados do carro no sistema. A marca respondeu que as orientações foram passadas ao cliente e lembrou que o Astra está fora da garantia.
- Um segundo dono tinha uma cópia da chave que não estava cadastrada no carro. Segundo ele, a marca não liberava o código e cobrava um valor que ele considerou abusivo. A montadora respondeu que o novo código só pode ser obtido em concessionária autorizada e que a emissão pode ser cobrada.
- Um terceiro dono, de Astra automático, trocou a bateria e o rádio pediu o código de segurança. No Infocard, o campo do rádio estava em branco. A concessionária queria cobrar para gerar o código, e o consumidor argumentou que o erro tinha sido da própria GM.
Peças plásticas, vidros elétricos e ferrugem
A segunda queixa recorrente envolve peças que quebram com o tempo, a começar pelos vidros elétricos. Um proprietário contou que teve dois Astra Elite sedã, e nos dois a máquina do vidro traseiro direito quebrou quatro vezes. Na autorizada, o diagnóstico foi de roldanas quebradas, e o conserto custou R$ 90 em peças e R$ 240 de mão de obra.
Outro dono, com um sedã 2003 e outro 2004, ambos automáticos, diz que a máquina do vidro traseiro quebra todo ano. Ele também reclamou da pá plástica que controla a entrada de ar externo, que quebra a ponto de ele ter mandado fazer uma de ferro. Citou ainda a fechadura do porta-malas e o câmbio automático, que precisou de conserto.
Houve também um caso mais sério. O dono de um Astra percebeu fumaça saindo de baixo do porta-luvas e cheiro forte de queimado. Ao abrir o capô, veio uma chama, e o fogo só foi controlado com a ajuda de seguranças de um mercado, que usaram um extintor. A Chevrolet afirmou ter tentado falar com o cliente, sem sucesso, e disse que o carro precisava ser levado a uma concessionária.
A ferrugem também aparece nos relatos. Uma proprietária pagou cerca de mil reais pelo reparo nas portas, mas na revisão seguinte descobriu que a corrosão tinha voltado e se espalhado pelo chassi. Segundo ela, o mecânico disse que o problema era comum naquela linha. Outro dono relatou pontos de ferrugem na parte inferior das quatro portas, mesmo com o carro guardado em garagem coberta.
O que isso significa para quem quer um Astra
O Astra segue como opção atraente de médio espaçoso e com bom motor no mercado de usados brasileiros. Os relatos dos donos mostram, porém, que o comprador deve conferir com atenção a tampa do comando de válvulas, os vidros elétricos, as peças plásticas e a carroceria. Também vale exigir o Infocard, para evitar dor de cabeça com chave e rádio.
Como a garantia acabou há muito tempo, a revisão em dia e o histórico de manutenção pesam mais na hora da compra.
