
As vendas globais de carros elétricos bateram recorde no segundo trimestre de 2026, impulsionadas pela alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. É o que aponta o relatório Electric Car Markets in a Time of Uncertainty, divulgado em 30 de julho pela Agência Internacional de Energia (AIE).
Segundo a agência, 50 países registraram vendas recordes de elétricos entre abril e junho. O Brasil está entre os cinco mercados de peso em que os emplacamentos praticamente dobraram entre março e junho, sobre o mesmo período de 2025, ao lado de Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã.
O avanço veio apesar da retração do setor. As vendas totais de automóveis caíram cerca de 5% no primeiro semestre, puxadas por China e Estados Unidos. Os elétricos também recuaram no primeiro trimestre, mas se recuperaram no segundo, com alta de 35% sobre os três meses anteriores. Mais de 90 países tiveram crescimento anual no semestre.
Combustível caro virou argumento de venda
O conflito iniciado em 28 de fevereiro levou o barril de petróleo a bater US$ 100 em março e recolocou o custo do combustível no centro da decisão de compra. A AIE lembra que o transporte rodoviário responde por quase metade do consumo mundial de petróleo.
Com o novo cenário e a manutenção de incentivos na Europa, na América Latina e no Sudeste Asiático, a agência revisou a projeção do ano: os elétricos devem responder por 29% das vendas globais de automóveis em 2026, um ponto percentual acima do previsto em maio.
China acumula estoque de elétricos
O relatório também aponta um freio na China. Pela primeira vez nesta década, as vendas de elétricos no país devem ficar estáveis na comparação anual, ainda que mais de 60% dos carros comercializados por lá sejam elétricos, recorde histórico.
As exportações chinesas de elétricos no semestre quase igualaram o total de 2025. A AIE calcula que só dois terços dessas unidades já foram vendidas, o que deixa mais de 1 milhão de carros disponíveis nos mercados globais.
