terça-feira, 4 de agosto de 2026

Alta do petróleo dobra vendas de carros elétricos no Brasil, aponta AIE

Alta do petróleo dobra vendas de carros elétricos no Brasil, aponta AIE

As vendas globais de carros elétricos bateram recorde no segundo trimestre de 2026, impulsionadas pela alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. É o que aponta o relatório Electric Car Markets in a Time of Uncertainty, divulgado em 30 de julho pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a agência, 50 países registraram vendas recordes de elétricos entre abril e junho. O Brasil está entre os cinco mercados de peso em que os emplacamentos praticamente dobraram entre março e junho, sobre o mesmo período de 2025, ao lado de Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã.

O avanço veio apesar da retração do setor. As vendas totais de automóveis caíram cerca de 5% no primeiro semestre, puxadas por China e Estados Unidos. Os elétricos também recuaram no primeiro trimestre, mas se recuperaram no segundo, com alta de 35% sobre os três meses anteriores. Mais de 90 países tiveram crescimento anual no semestre.

Combustível caro virou argumento de venda

O conflito iniciado em 28 de fevereiro levou o barril de petróleo a bater US$ 100 em março e recolocou o custo do combustível no centro da decisão de compra. A AIE lembra que o transporte rodoviário responde por quase metade do consumo mundial de petróleo.

Com o novo cenário e a manutenção de incentivos na Europa, na América Latina e no Sudeste Asiático, a agência revisou a projeção do ano: os elétricos devem responder por 29% das vendas globais de automóveis em 2026, um ponto percentual acima do previsto em maio.

China acumula estoque de elétricos

O relatório também aponta um freio na China. Pela primeira vez nesta década, as vendas de elétricos no país devem ficar estáveis na comparação anual, ainda que mais de 60% dos carros comercializados por lá sejam elétricos, recorde histórico.

As exportações chinesas de elétricos no semestre quase igualaram o total de 2025. A AIE calcula que só dois terços dessas unidades já foram vendidas, o que deixa mais de 1 milhão de carros disponíveis nos mercados globais.

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