sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Por que economistas alemães apontam a BYD como possível dona da Volkswagen

A queda de mais da metade no lucro do Grupo Volkswagen em 2025 reacendeu na Alemanha um debate que até pouco tempo soaria implausível: o de que a maior montadora da Europa possa terminar sob controle chinês. A hipótese foi levantada pelos economistas Niall Ferguson e Moritz Schularick em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Entre as possíveis interessadas, foi citada a BYD, hoje a maior fabricante mundial de veículos eletrificados.

O que disseram os economistas

Questionado sobre um eventual risco de falência, Schularick disse considerar mais provável que o grupo seja comprado por uma fabricante chinesa, caso siga perdendo espaço no mercado global. A BYD não se manifestou sobre o assunto nem indicou interesse em uma operação desse tipo, e os dois economistas ressaltam que o cenário não é iminente.

Para Ferguson, o erro europeu foi supor que tradição e reputação bastariam para sustentar a liderança tecnológica, enquanto a China acumulava décadas de investimento público em baterias e na cadeia de fornecedores.

O balanço da Volkswagen que alimenta o debate

Os números de 2025 explicam o tom da discussão:

  • O lucro operacional caiu 53%, de 19,1 bilhões para 8,9 bilhões de euros, abaixo dos 9,4 bilhões previstos por analistas.
  • A margem operacional recuou de 5,9% para 2,8%, com receita estável em 322 bilhões de euros.
  • Pesaram as tarifas americanas, a perda de participação na China e a guinada estratégica da Porsche, cujo lucro operacional caiu 98%, para 90 milhões de euros.

"Estamos operando em um ambiente completamente diferente", disse o CEO global Oliver Blume. O plano de reestruturação prevê o corte de cerca de 50 mil postos na Alemanha até 2030, perto de 35 mil apenas na marca Volkswagen.

A BYD também enfrenta ajustes

A hipótese surge em um momento em que a própria BYD ajusta a operação. A empresa fechou 2025 com receita recorde de cerca de US$ 116 bilhões e 4,6 milhões de veículos eletrificados vendidos. Em abril, porém, anunciou o corte de aproximadamente 100 mil postos de trabalho, cerca de 10% do quadro global, em meio à guerra de preços na China. Em maio, segundo cálculos da Reuters, as vendas globais da montadora cresceram 0,3% e interromperam oito meses seguidos de retração.

Os próprios economistas apontam excesso de capacidade e dependência de subsídios como fragilidades do setor chinês.

Uma barreira societária pouco lembrada

Há ainda um obstáculo concreto a qualquer tentativa de aquisição: a Volkswagen não tem capital pulverizado. A holding Porsche SE concentra a maioria dos direitos de voto, e o estado da Baixa Saxônia mantém participação com poder de veto, assegurada pela Lei Volkswagen.

O que isso significa para o Brasil

No mercado brasileiro, as duas empresas seguem expandindo. A Volkswagen prevê investir R$ 20 bilhões até 2028, e a BYD amplia a fábrica de Camaçari (BA), que já recebeu pedidos de exportação de 100 mil veículos. Por ora, a possível compra da Volkswagen pela BYD é só especulação de economistas, sem manifestação da chinesa e com barreiras societárias relevantes. Ainda assim, o debate mostra como a disputa entre montadoras tradicionais e chinesas ganhou peso no cenário global, com reflexos que o consumidor brasileiro já começa a acompanhar de perto.

Você também pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *