A China endureceu as regras para o pagamento de fornecedores pelas montadoras. Uma nova orientação do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e da Administração Estatal de Regulação do Mercado estabelece controles mais claros sobre três pontos: o início da contagem do prazo, a aceitação de peças e os meios de pagamento. A medida mira práticas que alongavam o prazo real de pagamento, mesmo quando as empresas anunciavam compromissos formais de quitação em dois meses.
O que muda para os fornecedores
O texto trata de forma específica os fornecedores de pequeno e médio porte, que costumam ter menos fôlego financeiro para esperar o dinheiro entrar. Para esse grupo, a orientação incentiva a quitação em até 30 dias e fixa 60 dias como referência máxima.
- Início da contagem do prazo: a orientação pede controles mais claros sobre quando o relógio começa a correr.
- Aceitação de peças: o texto também define regras mais claras sobre o momento em que as peças entregues são aceitas.
- Meios de pagamento: a norma inclui a forma como o pagamento é feito entre os pontos que passam a ter controle mais rígido.
A brecha que as autoridades querem fechar
O alvo da orientação não é apenas o prazo declarado, mas a distância entre o que as montadoras prometem e o que acontece na prática. Havia casos em que a empresa anunciava o compromisso formal de pagar em dois meses, mas o prazo efetivo se estendia por causa de mecanismos ligados à forma de contar o tempo, de aceitar as peças e de efetuar o pagamento. Ao detalhar esses três pontos, a nova orientação procura reduzir o espaço para atrasos que não aparecem nos compromissos oficiais.
O que isso significa para o mercado brasileiro
A orientação é chinesa e vale para a indústria daquele país, mas mostra uma preocupação que também interessa a quem acompanha a cadeia automotiva: o prazo de pagamento a fornecedores faz parte da saúde financeira de toda a cadeia, e o que está escrito nos contratos nem sempre reflete o que se pratica. Para o consumidor brasileiro, não há efeito direto e imediato anunciado. Para o setor, a medida é um indicativo de como o governo chinês passou a olhar para a relação entre montadoras e fornecedores, tema relevante num mercado em que marcas chinesas ganham espaço.
