A Azul Seguros iniciou, em parceria com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), uma campanha educacional para estimular o uso da faixa azul destinada às motocicletas na cidade de São Paulo. A ação estreou em 25 de setembro, Dia Nacional do Trânsito, com conteúdos voltados a motociclistas e motoristas, além de informações e orientações sobre a faixa e a importância da convivência pacífica nas ruas da Capital.
O que a campanha propõe
A iniciativa busca ampliar a segurança dos motociclistas e reduzir ainda mais o índice de acidentes. Segundo a matéria-fonte, a participação da seguradora faz parte da relação da empresa com a mobilidade, e a proposta é incentivar o motociclista a usar o espaço da faixa azul para reforçar o cuidado com a segurança.
Patrícia Chacón afirmou: “Conhecemos muito bem os impactos que acidentes podem causar na vida das pessoas e acreditamos que nosso trabalho começa antes que eles aconteçam”. Ela acrescentou que as mensagens de apoio à faixa azul fortalecem a preocupação com a segurança do motociclista e contribuem com informação, prevenção e conscientização na construção de um trânsito mais seguro para todos.
O que dizem os números da CET
A faixa azul foi lançada oficialmente em São Paulo em janeiro de 2022. De acordo com o Segundo Relatório Consolidado da Faixa Azul, elaborado pela CET, a taxa de severidade de acidentes envolvendo motos caiu 26,6% até dezembro do ano passado. O levantamento considerou 233,3 quilômetros de faixa azul, distribuídos em 46 trechos de 36 vias da cidade.
A taxa de severidade é um indicador técnico que mede a incidência e a gravidade das ocorrências de trânsito. Ela atribui pesos diferentes a sinistros com feridos e com mortes e relaciona os dados ao volume de veículos, ao período analisado e à extensão do trecho.
- A taxa média foi de 2,5 acidentes na faixa azul, contra 23,9 nas demais pistas. Ou seja, fora da faixa a incidência e a gravidade são 9,5 vezes maiores.
- A velocidade média das motos caiu 5,5%, de 54 km/h para 51,1 km/h.
- Perto de radares, o desrespeito ao limite imposto por lei caiu de 44,2% para 27,6%.
Aprovação e expansão
O relatório também mediu a percepção de quem usa as vias. Entre os motociclistas entrevistados, 91,9% aprovaram a faixa azul, e 93,9% disseram que a sinalização melhorou o convívio no trânsito. Entre os motoristas, 86,4% avaliaram a pista exclusiva como boa ou ótima. Uma pesquisa do Datafolha feita em julho com moradores da cidade mostrou que 75% dos entrevistados elogiaram a iniciativa.
Depois de estrear em São Paulo, a faixa azul chegou a outras cidades, dentro e fora do Estado, como Santo André, São Vicente, Osasco, Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE). A meta da Prefeitura paulistana é chegar a 400 quilômetros até 2028.
As críticas à faixa azul
A faixa azul não está livre de questionamentos. Estudos da USP indicam que a sinalização gerou um aumento de quase 11% no fluxo de motocicletas nas vias, com alta de 15,6% no número de vítimas não fatais. Os estudos também apontam que a sensação de pista livre levou 96% dos motociclistas a trafegar acima do limite de 50 km/h na faixa azul.
Segundo a USP, o excesso de velocidade pode dobrar as possibilidades de acidentes fatais em cruzamentos, onde os carros precisam cortar a pista das motos para fazer conversões.
Para o mercado brasileiro, a campanha mostra que a segurança do motociclista passa a mobilizar também o setor de seguros, em conjunto com o poder público. Com a faixa azul em expansão e avaliada de formas diferentes pela CET e pela USP, a educação de motociclistas e motoristas tende a ser parte importante do debate sobre como reduzir acidentes nas grandes cidades.
