O carro mais blindado do Brasil hoje é um híbrido plug-in chinês. O BYD Song Plus liderou o primeiro semestre de 2026 com 1.069 unidades protegidas, à frente do Toyota Corolla Cross (804) e da dupla da Jeep: Commander (547) e Compass (506). Os dados são da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). No total, o Exército emitiu 17.290 autorizações de blindagem de janeiro a junho, alta de 4,6% sobre o mesmo período de 2025.
Uma troca recente no topo do ranking
Entre as marcas, a liderança segue com a Toyota, que responde por 13,5% do volume graças à soma de Corolla Cross e Corolla. Mas a mudança no comando de modelos é recente: em 2025, o mais blindado do país era o Corolla Cross, com 2.550 unidades. O Song Plus assumiu a ponta já no primeiro trimestre deste ano e sustentou a posição ao longo do semestre.
Não se trata apenas de uma troca de nome na liderança. Blindar um eletrificado exige adaptação das oficinas, já que o pacote de baterias altera a distribuição de peso antes mesmo de qualquer chapa balística ser instalada.
O ranking dos 20 mais blindados é formado quase só por utilitários esportivos. A GWM coloca quatro nomes na lista (Haval H6, Haval H9, Wey 07 e Tank 300), e apenas o Corolla e a picape Mitsubishi Triton fogem do segmento.
Demanda alta e concentrada em Rio e São Paulo
Segundo a presidente da Abrablin, Andréia Canassa, a sensação de insegurança nas grandes capitais é o principal motor da procura. Ela também cita a chegada de novas tecnologias ao mercado como fator que deve sustentar o ritmo no segundo semestre e espera que 2026 feche acima de 2025, o que seria o sexto ano consecutivo de recorde.
O início do ano dá base à projeção: só no primeiro trimestre foram 8.550 autorizações, 6,5% a mais que as 8.029 do mesmo intervalo de 2025.
A geografia segue concentrada. São Paulo respondeu por 61,7% dos registros de 2025 no painel do Exército; somado ao Rio de Janeiro, o par chega a 78%. A Abrablin estima que mais de 425 mil blindados circulem hoje pelo país, praticamente todos em nível III-A, que resiste a disparos de armas curtas de maior calibre.
Três medidas diferentes, que não se comparam
As 17.290 autorizações do semestre são as formalizadas no Sicovab. Já a estimativa de mercado da Abrablin, montada com as associadas (cerca de 80% da produção nacional de blindados de passeio), aponta 42.800 blindagens em todo o ano de 2025, cerca de 24% acima das 34.402 de 2024.
Há ainda uma terceira medida: os registros administrativos do Exército somaram 38.716 certificados em 2025. A diferença de cerca de 4 mil veículos em relação à estimativa da Abrablin é atribuída à metodologia, uma vez que um número é projeção de mercado e o outro é contagem de documentos. Os três valores medem coisas distintas e não devem ser comparados diretamente.
Mudou também o perfil de quem blinda
- Há cerca de dez anos, aproximadamente 80% dos proprietários de blindados eram homens.
- Hoje, segundo o setor, a participação feminina se aproxima de 50% do mercado.
Para o mercado brasileiro, o recado é claro: a blindagem deixou de ser nicho e acompanha o que o consumidor compra. Com um híbrido plug-in chinês no topo, utilitários dominando a lista e a demanda concentrada em Rio e São Paulo, as oficinas e as marcas precisam acompanhar a eletrificação, enquanto o setor aposta em mais um ano de recorde.
