domingo, 25 de outubro de 2026

Campeonato Brasileiro de Gravel estreia em Rio Acima e coroa Henrique Avancini e Flávia Oliveira

O Gravel entrou oficialmente no calendário esportivo brasileiro. No primeiro domingo de julho (dia 5), Rio Acima (MG) recebeu a primeira edição do Campeonato Brasileiro de Gravel, organizada pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) em parceria com a Avelar Sports. A prova coroou os primeiros campeões nacionais da modalidade: Henrique Avancini, na Elite masculina, e Flávia Oliveira, na Elite feminina.

O que é o Gravel e por que a modalidade cresce

Poucas modalidades cresceram tanto no ciclismo nos últimos anos quanto o Gravel. Nascido quase de forma espontânea nos Estados Unidos, o esporte mistura a velocidade das bicicletas de estrada com a liberdade das estradas de terra e deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma das grandes apostas da indústria e das entidades esportivas internacionais.

Apesar de parecer uma mistura entre mountain bike e ciclismo de estrada, a modalidade tem características próprias. As bicicletas Gravel lembram visualmente uma road bike, mas contam com pneus mais largos, geometria mais confortável e capacidade para enfrentar diferentes tipos de terreno. As provas combinam trechos de asfalto, estradas de terra, cascalho e caminhos rurais, o que exige resistência, técnica e capacidade de adaptação.

O Gravel também conversa com perfis variados: atrai quem vem do mountain bike, quem pratica ciclismo de estrada e muitos iniciantes que procuram uma bicicleta capaz de percorrer diferentes superfícies sem abrir mão da eficiência. Esse crescimento levou a União Ciclística Internacional (UCI) a criar, em 2022, o Campeonato Mundial de Gravel e um circuito classificatório internacional, a UCI Gravel World Series, disputado em diversos países. O Brasileiro acompanha esse movimento.

Rio Acima e o percurso da primeira edição

A escolha de Rio Acima não foi por acaso. Localizada em uma região conhecida pelas estradas rurais e montanhas de Minas Gerais, a cidade oferece o tipo de terreno considerado ideal para a modalidade.

  • Percurso da Elite com aproximadamente 95 quilômetros;
  • Longos trechos de terra, cascalho, estradas vicinais e setores pavimentados;
  • Acumulado próximo de 3.000 metros de altimetria, o que tornou a prova bastante exigente fisicamente.

O traçado sintetiza a filosofia do Gravel: percorrer grandes distâncias por caminhos pouco explorados, privilegiando paisagens naturais e terrenos variados.

Os campeões e o pódio híbrido

Entre os homens, Henrique Avancini confirmou o favoritismo e completou o percurso em 3h36min40s, conquistando o primeiro título brasileiro de Gravel da história. Sherman Trezza ficou em segundo, e André Gohr completou o pódio. Avancini construiu a trajetória mais vitoriosa da história do mountain bike brasileiro e vive uma fase de transição para as competições de estrada e Gravel. Venceu a etapa brasileira da UCI Gravel World Series, resultado que garantiu classificação para o Campeonato Mundial da modalidade na Austrália, além do Campeonato Brasileiro de Contrarrelógio e do tradicional Tour of the Gila, nos Estados Unidos.

Na Elite feminina, Flávia Oliveira cruzou a linha em 4h34min18s, à frente de Isabella Lacerda (prata) e Ana Laura Moraes (bronze). Flávia representou o Brasil em Jogos Olímpicos, conquistou o Campeonato Brasileiro de Estrada em 2018 e acumulou resultados importantes no calendário norte-americano. Suas principais adversárias vieram do mountain bike, o que ilustra o caráter híbrido do Gravel: a mistura de atletas de modalidades distintas dificilmente aconteceria em um Brasileiro tradicional de estrada ou de MTB.

Segundo o secretário-geral da CBC, José Luiz Vasconcelos, o campeonato é um passo importante para acompanhar a expansão internacional da modalidade e fortalecer seu desenvolvimento no país.

O que muda para o mercado brasileiro

Assim como ocorreu com modalidades como BMX Racing e Pump Track, a oficialização de um campeonato nacional tende a estimular novos eventos, ampliar a formação de atletas e fortalecer a cadeia do ciclismo. Ainda é cedo para prever o tamanho da modalidade no país, mas há sinais de crescimento consistente: o mercado brasileiro passou a oferecer mais modelos específicos de bicicletas Gravel, eventos dedicados à modalidade começam a surgir em diferentes estados e atletas tradicionais do mountain bike e da estrada têm incluído esse tipo de prova em seus calendários.

O interesse crescente por cicloturismo, viagens de bicicleta e experiências em meio à natureza reforça o ambiente favorável. O primeiro Campeonato Brasileiro de Gravel pode ser lembrado como o momento em que a modalidade deixou de ser tendência para se tornar parte da história do ciclismo nacional.

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