O Opel Astra F, que estreou na Alemanha há 35 anos, segue como o modelo mais vendido da história da marca de Rüsselsheim: cerca de 4,13 milhões de unidades saíram das linhas de montagem entre 1991 e 1997. No Brasil, o hatch ficou conhecido como "Astra Belga", já que chegou a partir de 1994 importado da Bélgica e vendido pela Chevrolet.
Um projeto para novos tempos
No início dos anos 1990, o mercado automotivo passava por mudanças. A maior conscientização ambiental e as exigências crescentes dos clientes pediam carros que emitissem menos poluentes e oferecessem mais conforto. A Opel respondeu com o Astra F.
A sétima geração da linha compacta abandonou o tradicional nome Kadett e adotou a designação de sua versão britânica Vauxhall. A combinação de economia de recursos, enorme espaço interno e segurança caiu no gosto do público.
No Brasil, o Astra F chegou ainda em sua primeira geração, a "F". O Astra G, por sua vez, foi fabricado no país entre 1998 e 2011. Uma geração depois, o Astra F foi vendido por aqui como Vectra e conviveu com o antecessor.
Carrocerias, motores e a versão esportiva GSi
Quando chegou às concessionárias, no outono de 1991, o modelo ofereceu uma ampla gama de carrocerias:
- hatch de cinco portas;
- perua Caravan de cinco portas;
- esportiva GSi de duas portas.
Na primavera de 1992, chegou a clássica sedan de quatro portas. Em 1993, um conversível fabricado pela italiana Bertone completou a família.
Sob o capô, havia motores a gasolina e a diesel, todos de quatro cilindros e com sistemas de tratamento de emissões considerados avançados para a época. Os a gasolina, com até 150 cv e cilindradas entre 1,4 e 2,0 litros, vinham de fábrica com catalisador de três vias. O diesel 1.7 de até 82 cv trazia catalisador de oxidação desenvolvido especialmente para o modelo.
O topo de linha GSi, oferecido apenas como hatch de duas portas, destacava-se pelo coeficiente aerodinâmico de 0,30. Podia ser escolhido com motor 2.0 de 115 cv ou na variante de 150 cv, com 16 válvulas e dois comandos de válvulas no cabeçote. O GSi 16V também foi o primeiro carro do segmento a contar com controle eletrônico de tração.
Essa tecnologia fez do compacto uma referência no automobilismo europeu. Em 1993, na primeira temporada, a Opel conquistou o título mundial de marcas na "Copa FIA de Marcas de Turismo (2 litros)". Em 1997, um Astra GSi 16V venceu na Classe N no Veedol-Langstreckenpokal, disputado no circuito alemão de Nürburgring.
Segurança, espaço e inovações
Os desenvolvedores também deram forte atenção à proteção dos ocupantes. Com o "Opel Safety System", o Astra F estabeleceu novos padrões entre os compactos: reforços de duplo tubo nas portas protegiam em colisões laterais, rampas integradas aos bancos evitavam o deslizamento sob o cinto em colisões frontais, e os pré-tensionadores fixavam o corpo com segurança. Em 1994, a segurança passiva foi elevada com a adoção de série de airbags frontais de duplo estágio para motorista e passageiro.
A sensação de amplitude interna também era real. Em relação ao antecessor Kadett E, os engenheiros deslocaram o para-brisa 74 milímetros para a frente. Com dimensões externas quase idênticas, o ganho de espaço foi perceptível e ampliou em até 50 milímetros o espaço para a cabeça e os joelhos.
Na eletrônica de bordo, o "Multi Info Display", no topo do console central, uniu pela primeira vez no mundo as informações do rádio, do computador de bordo e dos avisos de manutenção em um único campo de visão. Outra novidade do segmento era o "Clean Air System", que protegia os ocupantes contra pólen, poeira e partículas de sujeira.
Pensando na responsabilidade ambiental, a Opel desenvolveu um processo de reciclagem econômico. Grandes partes do painel de instrumentos, do console central, dos bancos e do revestimento interno foram feitas com polipropileno reciclável, e componentes como forrações dos arcos das rodas e suportes dos para-choques usavam material reciclado.
Um capítulo pouco conhecido é que o Astra F serviu de plataforma para propulsores alternativos. Entre 1993 e 1997, a Opel lançou o "Astra Impuls III", seu primeiro grande teste com veículos elétricos. Na ilha alemã de Rügen, no mar Báltico, uma frota de dez unidades percorreu 350.000 km de testes. Cinco delas (61 cv) usavam baterias de níquel-cádmio e as outras cinco (57 cv), baterias de cloreto de níquel-sódio, ambas com motor elétrico assíncrono. Os elétricos atingiam 120 km/h e alcances de até 150 km. Diante dos resultados positivos, o experimento foi ampliado entre 1997 e 1999 para Aachen, na Alemanha, Maastricht, na Holanda, e Liège, na Bélgica.
O que o Astra F significa para o Brasil
Para o mercado brasileiro, o Astra F marcou a chegada do compacto da Opel pelas mãos da Chevrolet, ainda na primeira geração, e abriu caminho para o Astra G, produzido nacionalmente entre 1998 e 2011. Três décadas e meia depois, o "Astra Belga" segue lembrado como o hatch europeu que combinou espaço, segurança e tecnologia, e que carrega o título de modelo mais vendido da história da Opel.
