A Volkswagen prepara os primeiros híbridos flex com baterias de alta tensão para o Brasil, e a grande novidade está na transmissão. Em vez da troca convencional de relações, o sistema usa uma única marcha mecânica e deixa ao conjunto elétrico parte do trabalho de movimentar as rodas. A solução equipará a versão brasileira do T-Roc e a próxima geração do Taos, ambos híbridos plenos com motor 1.5 TSI Evo2 turbo flex.
Motor 1.5 turbo e números do conjunto
O 1.5 TSI Evo2 entrega, sozinho, 150 cv e 25,5 kgfm, os mesmos números do atual 1.4 250 TSI. A diferença é que ele trabalha em ciclo Miller e apresenta maior eficiência energética. No conjunto híbrido, a potência combinada permanece em 170 cv, enquanto o torque total chega a 31,6 kgfm. Esses valores não resultam da soma direta da potência individual dos dois motores.
A bateria é de íons de lítio, com 1,6 kWh, e deve ficar sob o banco traseiro dos dois SUVs.
Como funciona a transmissão
A transmissão se aproxima da solução usada pela Honda nos atuais Civic, CR-V e Accord e:Hybrid, e também lembra a configuração adotada pela BYD. Ela usa apenas uma marcha mecânica, conectada por embreagem multidisco. As demais relações de funcionamento ficam a cargo do conjunto elétrico. O seletor será giratório.
- Modo EV: abaixo de 60 km/h, o motor elétrico sempre traciona as rodas, com energia da bateria.
- Modo Serial: na mesma faixa de velocidade, o 1.5 TSI Evo2 pode ser acionado sem ligação à transmissão. Ele trabalha com um segundo motor elétrico na geração de energia para a bateria.
- Modo Paralelo: a partir de 60 km/h, a marcha mecânica se conecta ao diferencial dianteiro. O motor turbo flex passa a movimentar as rodas, com auxílio elétrico quando necessário para ampliar potência e torque.
A configuração difere da primeira geração de modelos eletrificados da Volkswagen na Europa, que combina o motor 1.5 TSI Evo2 ao conhecido câmbio DSG automatizado de dupla embreagem.
T-Roc e Taos: o que se sabe de cada um
O T-Roc brasileiro, conhecido internamente como Saga, será maior que o europeu. Terá quase 4,50 m de comprimento e distância entre eixos de 2,65 m a 2,70 m. O desenho manterá a silhueta de SUV cupê, com diferenças visuais em relação ao modelo vendido na Europa. O uso do nome T-Roc ainda não está decidido: a matriz alemã defende a continuidade da denominação, e a filial brasileira sugeriu uma mudança.
A próxima geração do Taos, chamada A-SUV, deve conservar o nome atual. Terá carroceria derivada do SUV chinês Jetta VS8 e o mesmo painel com grandes telas digitais. As medidas previstas são cerca de 4,63 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,62 m de altura e 2,73 m de distância entre eixos.
O Saga deve chegar ao mercado entre o fim de 2027 e o começo de 2028. O A-SUV está previsto para um ano depois, e essa data ainda é uma previsão. Os dois projetos usarão a plataforma chamada MQB 37 ou MQB Evo. A picape intermediária Tukan seguirá outro caminho, com sistema híbrido leve de 12 volts associado ao motor 1.0 TSI turbo flex.
Investimentos e o que muda para o mercado brasileiro
A proposta de uma nova transmissão já aparecia em 2024, quando a Volkswagen apresentou a plataforma MQB Hybrid junto ao primeiro plano de investimentos de R$ 16 bilhões para o Brasil. Desde então, o pacote da marca na América do Sul foi atualizado para R$ 20 bilhões até 2028.
Para o consumidor brasileiro, o movimento indica que a Volkswagen pretende entrar na eletrificação plena com motor turbo flex, e não apenas com sistemas híbridos leves. A escolha de uma transmissão de uma única marcha mecânica, diferente da europeia com DSG, mostra uma solução desenvolvida para o mercado local. O T-Roc abre o caminho, e o Taos vem um ano depois.
