domingo, 18 de outubro de 2026

VWCO busca cortar custos e ganhar eficiência nos caminhões, enquanto novas fontes de energia só avançam quando a conta fecha para o cliente

A renovação da frota de caminhões depende de uma conta difícil de fechar, mesmo com a chegada de tecnologias capazes de tornar o transporte de cargas mais eficiente. Foi o que mostrou o debate entre executivos de Iveco, Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), Farizon e Scania, que apontaram preços elevados, juros e diesel caro entre as maiores preocupações do setor.

Um painel sobre o futuro dos pesados

O tema foi discutido no painel A próxima marcha da indústria de caminhões, durante o Automotive Business Experience (ABX). A mediação ficou com Giovanna Riato, editora-chefe do Jornal do Carro, e a conversa integrou a Trilha Transporte e Gestão de Frotas.

PIB, crédito, logística, transição energética e concorrência global entraram na pauta. Ainda assim, os custos de compra e de operação dominaram a discussão.

Custos, Euro 6 e o peso sobre o transportador

George Carloto, diretor comercial da Iveco, afirmou que esses custos dificultam a compra de caminhões novos, embora reconheça benefícios nas tecnologias que chegam ao mercado. Ele citou o Euro 6, equivalente à fase P8 do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), em vigor no Brasil desde 2023. Segundo Carloto, a adoção da norma encareceu os caminhões novos, num cenário em que diesel e juros também pesam nas decisões dos transportadores.

Leandro Pugliese, vice-presidente de estratégia corporativa, planejamento e sustentabilidade da VWCO, disse que reduzir o custo total de propriedade, o TCO, continua sendo prioridade. Para ele, novas fontes de energia acrescentam despesas e ganharão espaço quando fizerem sentido econômico para o cliente, tendo a paridade com o diesel como referência.

Para compensar os custos, a indústria aposta em eficiência e maior disponibilidade dos veículos, com melhorias técnicas e conectividade. Segundo Pugliese, a meta é obter avanços de pelo menos 3% a 4% a cada dois ou três anos para enfrentar a alta do custo dos produtos. O executivo também observou que os transportadores seguem trabalhando: a passagem de veículos comerciais por rodovias pedagiadas cresceu 2,5%, e ele destacou a contribuição do programa Move Brasil.

Elétricos, gás natural e a busca por previsibilidade

  • Farizon: marca de pesados do Grupo Geely que atua apenas com elétricos no Brasil. Rodrigo Pikussa, diretor-geral, descreveu o mercado brasileiro como conservador e difícil para novos participantes, mas disse já encontrar compradores com experiência em EVs. Segundo ele, alguns modelos podem reduzir o TCO em 10% a 15% ao longo de cinco anos, embora o segmento ainda precise amadurecer. A fabricante também previu a chegada de um caminhão elétrico ao Brasil entre agosto e setembro.
  • VWCO: a experiência com elétricos começou em 2016, lembrou Pugliese, que vê a eletrificação como uma das rotas possíveis para descarbonizar a economia. Ele ressalvou que cada aplicação pode favorecer uma tecnologia diferente e apontou parcerias com grupos chineses como caminho para as montadoras se adaptarem.
  • Scania: Silvio Renan, diretor de vendas de soluções, destacou os caminhões a gás natural, que, segundo ele, são mais silenciosos e agradam aos motoristas. A empresa deve encerrar o ano com 3 mil unidades vendidas.

Renan também relatou dificuldade para encontrar motoristas qualificados e reter mecânicos nas concessionárias, e defendeu maior valorização da profissão de motorista.

O que se espera do próximo governo

Carloto afirmou que o próximo governo precisa definir uma política objetiva de renovação de frota, já que caminhões muito antigos prejudicam a eficiência, a segurança e as entregas. Pikussa concordou com a necessidade de substituir veículos antigos e pediu regras claras para a eletrificação, estabilidade econômica e mais previsibilidade para os clientes.

Para o mercado brasileiro, o recado dos executivos é que a transição energética e a renovação da frota avançam no ritmo da conta do transportador. Enquanto diesel, juros e preços seguem pesando, ganhos de eficiência, redução do TCO e regras previsíveis tendem a pesar mais na decisão de compra do que a tecnologia em si.

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