Pelo mapa, atravessar o continente americano de carro, saindo do Brasil rumo aos Estados Unidos, parece perfeitamente possível. Existe até uma rodovia que corta a América de norte a sul, a Rota Panamericana. O problema é que esse trajeto tem uma interrupção: a travessia por terra entre a Colômbia e o Panamá é extremamente desafiadora, o que impede a viagem contínua de carro.
Região de Darién: o elo que falta
O trecho em questão é a Região de Darién, que faz a ligação entre a América Central e a América do Sul. Ela é marcada por mata densa, áreas de pântano e calor.
Além do ambiente hostil, a região é isolada e habitada por tribos indígenas. Os desafios da geografia local também atraem grupos criminosos e dificultam o trabalho das autoridades. Muitas pessoas tentam cruzar o local a pé, em busca de uma vida melhor ao norte, e muitas morrem ou se perdem no caminho.
Quem já atravessou de veículo
Poucos exploradores conseguiram passar por Darién com veículos. Os primeiros foram três brasileiros que dirigiram dois Fords Modelo T. Eles saíram do Rio de Janeiro em 1928 e chegaram aos Estados Unidos em 1938, onde foram recebidos por Henry Ford.
Em 1959, a região foi atravessada por um Land Rover e um Willys Jeep CJ-5. Já o primeiro veículo a percorrer toda a Rota Panamericana por solo, de Buenos Aires ao Alasca, foi uma moto BMW R80G/S, na década de 1980.
Em 1961, uma equipe patrocinada pela General Motors tentou o mesmo feito com um comboio de três Chevrolet Corvair. Um deles foi abandonado na mata de Darién e serve como ponto de referência até hoje.
Como os viajantes contornam o problema hoje
Atualmente, não é mais preciso um jipe para percorrer a Rota Panamericana, já que a maior parte das rodovias que formam o caminho é asfaltada. Para driblar Darién, o procedimento padrão é usar navios que levam os carros da Colômbia ao Panamá.
O porto utilizado é o de Cartagena das Índias, na Colômbia, e os veículos são despachados para Colón, no Panamá. Os viajantes, por sua vez, precisam ir de avião para se reencontrar com seus carros do outro lado. É uma alternativa bem mais cômoda do que arriscar a vida em Darién.
Para o motorista brasileiro que sonha com a viagem dos sonhos até os Estados Unidos, a conclusão é clara: o trajeto só é possível com uma pausa obrigatória na logística, combinando navio para o carro e avião para as pessoas. A história de Darién mostra que, mesmo com estradas asfaltadas em quase todo o percurso, a geografia ainda impõe limites à aventura sobre quatro rodas.
