Se alguém pedir para você imaginar uma Ferrari, é provável que o carro venha à cabeça pintado de vermelho. Mas essa escolha não nasceu de pesquisa de marketing nem apenas do gosto de Enzo Ferrari: antes de virar assinatura dos esportivos de Maranello, o vermelho servia para identificar os carros italianos nas competições internacionais.
O vermelho era da Itália, não da Ferrari
Nos primeiros anos do automobilismo internacional, as cores indicavam a origem dos competidores. Os italianos corriam de vermelho, os franceses de azul e os britânicos de verde, enquanto os alemães ficaram conhecidos pelo branco e, depois, pelo prata.
O vermelho italiano passou a ser chamado de Rosso Corsa, literalmente "vermelho de corrida", e não era exclusividade de uma fabricante. Quando Enzo fundou a Scuderia Ferrari, em 1929, a equipe ainda colocava nas pistas carros da Alfa Romeo e seguia a cor destinada aos representantes da Itália. A fabricante de automóveis com o sobrenome dele só surgiria em 1947.
Ou seja, a Ferrari não inventou a tradição, mas se tornou sua representante mais famosa. Com o tempo, a continuidade nas competições e o sucesso dos esportivos de rua fizeram uma identificação nacional ser confundida com a identidade de uma única marca.
Fórmula 1 e cultura pop popularizaram a cor
Presente no campeonato desde a primeira temporada, em 1950, a Ferrari encontrou na Fórmula 1 uma vitrine que poucas fabricantes tiveram por tanto tempo. Conforme as transmissões alcançaram mais países, seus carros vermelhos se tornaram familiares até para quem não sabia diferenciar um motor de rua de um de competição.
As gerações de Niki Lauda, Gilles Villeneuve e Michael Schumacher ajudaram a manter essa associação, mesmo com mudanças profundas no desenho dos carros, nos regulamentos e nos patrocinadores.
A equipe também já fugiu da receita. Nas duas últimas provas da temporada de 1964, os carros correram de branco e azul, inscritos pela equipe norte-americana NART. A exceção virou parte da história justamente porque o vermelho já era a imagem mais conhecida da Scuderia.
Fora das pistas, os esportivos de rua fizeram o restante do trabalho. Em filmes, videoclipes, propagandas e pôsteres, a Ferrari vermelha virou uma representação quase automática de carro rápido, caro e desejado.
Nem todo vermelho de Ferrari é igual
Embora "vermelho Ferrari" pareça o nome de uma única tinta, a fabricante já ofereceu diferentes interpretações da cor:
- Rosso Corsa: o mais conhecido;
- Rosso Scuderia: mais claro e vivo, com forte associação aos carros de Fórmula 1;
- Rosso Dino: puxa para o laranja e foi a cor de lançamento do Dino 206 GT, segundo a própria Ferrari;
- Rosso Fiorano: de aparência mais escura.
Há ainda acabamentos metálicos e pinturas especiais. Duas Ferrari vermelhas lado a lado podem revelar diferenças que passariam despercebidas numa foto isolada, dependendo da iluminação e das formas da carroceria.
E quem prefere uma Ferrari amarela?
Ninguém precisa escolher vermelho para levar uma Ferrari para casa. Amarelo, azul, verde, preto, prata e outras cores também fazem parte do repertório da fabricante, com opções de personalização para quem quer fugir da combinação mais previsível.
O amarelo, aliás, tem ligação direta com a marca: Enzo o escolheu para o fundo do emblema do cavalinho por sua relação com Modena, cidade cujas cores incluem amarelo e azul. Uma Ferrari amarela também carrega, portanto, uma referência às origens da empresa.
Para o público brasileiro, a história mostra que o vermelho é menos um capricho de marca e mais uma herança do automobilismo, que a Ferrari soube transformar em identidade. Quem sonha com uma Ferrari, vermelha ou não, está lidando com mais de um século de tradição esportiva italiana.
