sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Seca histórica no rio Danúbio revela moto do exército nazista afundada há 80 anos

Seca histórica no rio Danúbio revela moto do exército nazista afundada há 80 anos

A seca histórica que baixou o nível do rio Danúbio neste verão europeu trouxe à tona, no centro de Budapeste (Hungria), uma motocicleta militar alemã da Segunda Guerra Mundial e os restos mortais de dois soldados da Wehrmacht, mais de 80 anos após o fim do conflito. Junto aos corpos, ainda não identificados, estavam duas placas de identificação inteiras.

A descoberta ocorreu em 2 de agosto, em frente ao Parlamento húngaro, num trecho do leito exposto pela vazante recorde. A moto foi retirada da lama por técnicos do Instituto e Museu de História Militar da Hungria, parceiro da Comissão Alemã de Cemitérios de Guerra (Volksbund), entidade que localiza e identifica militares alemães mortos em combate e que anunciou o achado.

No local, as equipes também encontraram minas antitanque, o que exigiu a atuação de esquadrões antibombas, além de um galão de combustível e uma condecoração militar.

Moto era usada em missões de reconhecimento

O modelo foi identificado como uma DKW NZ 350-1, desenvolvida para a Wehrmacht e usada a partir de 1944. Com motor monocilíndrico dois tempos 346 cm³ de 11,5 cv, refrigerado a ar, servia a missões de reconhecimento e ao transporte de ordens e mapas. Cerca de 12 mil unidades foram fabricadas até o fim da guerra, em 1945.

Mesmo coberta de lama e ferrugem, a DKW manteve praticamente intactos o quadro, as rodas, o tanque de combustível e os baús de carga. Segundo a comissão, a lama do porto, misturada a óleo diesel, ajudou a conservar a moto e as placas. A entidade afirma ainda que o modelo era considerado particularmente robusto e confiável na época.

A DKW foi depois incorporada à Auto Union, origem da atual Audi. No Brasil, a marca ficou conhecida pelos carros da Vemag, como o Belcar e a Vemaguet.

Identidade dos soldados ainda é mistério

Quando um soldado morria, metade da placa ficava com o corpo e a outra era enviada a Berlim para que a família fosse avisada. O fato de as duas metades estarem juntas indica que as mortes nunca foram comunicadas oficialmente.

À emissora americana Fox News, a porta-voz da Volksbund, Diane Tempel-Bornett, disse que as placas ainda estão sendo decifradas e que a identidade dos soldados segue desconhecida. Segundo ela, o fato de estarem ao lado dos corpos não garante que pertencessem a eles, embora isso seja possível.

Para identificar os militares, especialistas analisam altura, idade e possível origem, além de objetos pessoais como alianças, óculos, joias e documentos, e cruzam os dados com registros militares. A causa das mortes também é incerta: a porta-voz afirmou que só é possível especular se os soldados tentaram atravessar o Danúbio congelado, sofreram uma queda, foram baleados ou se afogaram.

O local foi palco da Batalha de Budapeste, travada entre outubro de 1944 e fevereiro de 1945, na qual morreram cerca de 30 mil soldados alemães. Após a análise, os dois militares serão sepultados no cemitério de guerra de Budaörs, nos arredores da capital húngara.

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