
A Prefeitura de Belo Horizonte oficializou a compra de 96 ônibus 100% elétricos para o transporte coletivo da capital mineira. Os contratos, assinados em 16 de setembro, tiveram os extratos publicados no Diário Oficial do Município na terça-feira (22) e somam mais de R$ 313 milhões, com recursos do programa federal PAC Seleções.
O maior volume foi destinado à fabricante de carrocerias Caio Induscar, em um contrato de R$ 307,6 milhões com vigência de 20 meses, contados a partir da ordem de fornecimento. Um segundo contrato, de R$ 5,5 milhões e vigência de 18 meses, foi firmado com a Nansen Instrumentos de Precisão para o fornecimento e a instalação de 27 carregadores, além do treinamento dos operadores.
“Os ônibus elétricos são mais silenciosos, não emitem poluentes durante a operação e representam um avanço na modernização e na sustentabilidade do sistema”, afirmou o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Marco Antônio Silveira.
Quatro ônibus a menos
O planejamento inicial da prefeitura previa 100 unidades. Em junho, a licitação foi homologada para esse total por R$ 320,5 milhões, acima da estimativa de R$ 317 milhões divulgada em abril, na abertura da concorrência.
Segundo a administração municipal, após a atualização dos valores no processo de contratação, a compra foi ajustada aos recursos disponíveis. Cada ônibus sai por cerca de R$ 3,2 milhões, o mesmo valor unitário da homologação, segundo o site especializado Diário do Transporte.
Os veículos serão cedidos às empresas operadoras em regime de comodato, empréstimo gratuito de um bem, e entrarão em circulação de forma gradual, conforme o cronograma de fabricação e entrega. A prefeitura não informou quando os primeiros começam a rodar.
Autonomia de mais de 250 km
Os ônibus são do tipo BRT Misto, com cinco portas, três do lado direito e duas do esquerdo, o que permite o embarque tanto em pontos convencionais quanto em estações de corredores exclusivos. Têm ar-condicionado, recursos de acessibilidade e capacidade para até 71 passageiros.
A autonomia supera 250 km com uma carga, e os carregadores de 160 kW permitem abastecer vários veículos ao mesmo tempo.
Segundo o Diário do Transporte, os ônibus terão tecnologia da Eletra, carroceria Caio e chassi Mercedes-Benz, com motores, inversores e baterias da WEG. O edital exige motor elétrico com no mínimo 197 cv e 91,8 kgfm, baterias de pelo menos 337 kWh e comprimento entre 12,4 e 14 metros. A garantia das baterias é de oito anos ou 600 mil km.
Entre 2023 e 2024, a Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob) testou modelos de diferentes fabricantes, e os estudos apontaram redução de custos operacionais e mais conforto para passageiros e motoristas.
De acordo com a prefeitura, a substituição de ônibus a diesel pelos elétricos pode evitar a emissão de cerca de 11,8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, além de reduzir o ruído nas ruas da capital.
