A Chevrolet ampliou a linha S10 com a versão Trail Boss, pensada para quem usa a picape muito além do trabalho. Vendida por R$ 341.290, ela aposta em uma preparação off-road homologada de fábrica, que mantém a garantia e os sistemas eletrônicos de assistência à condução. Para avaliar se as mudanças entregam o que prometem, a picape foi testada no Jalapão, no Tocantins, um dos cenários mais exigentes do país.
Suspensão é o grande diferencial
O principal destaque da Trail Boss está sob a carroceria. A Chevrolet equipou a picape com suspensão desenvolvida pela australiana Ironman 4x4, especializada em componentes para uso severo no fora de estrada. Além dos novos amortecedores e molas, a S10 recebeu pneus Pirelli Scorpion All Terrain na medida 265/60 R18, que ampliam a tração em superfícies de baixa aderência.
O conjunto elevou a altura livre do solo para 37 centímetros, cerca de cinco centímetros acima das demais versões da S10. Na prática, isso permite superar obstáculos maiores sem raspar a parte inferior da carroceria.
Durante o percurso, a suspensão mostrou excelente capacidade de absorção. Não houve batidas de fim de curso nem impactos secos, mesmo em erosões profundas e trechos muito irregulares. A estabilidade também chamou a atenção: apesar da maior altura, a carroceria permanece controlada, o que reduz a sensação de inclinação em terreno acidentado.
Preparação de fábrica e mecânica conhecida
Muitos donos de picape instalam suspensão elevada, pneus maiores e rodas específicas após a compra. O problema é que essas alterações podem comprometer a garantia e interferir na calibração dos sistemas ADAS, como frenagem automática, alerta de colisão e assistente de permanência em faixa. Na Trail Boss, toda a preparação sai homologada pela Chevrolet, e suspensão, eletrônica e assistentes seguem dentro das especificações originais. Esse é um dos principais argumentos da marca para justificar o preço.
Sob o capô, nada mudou. A picape usa o motor 2.8 turbodiesel Duramax, de 207 cv e 52 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático de oito marchas. A tração é 4x4 com reduzida e acionamento eletrônico. No off-road, o torque em baixa rotação facilita subidas, retomadas e travessias em areia sem exigir esforço do conjunto mecânico.
Pontos de atenção
Os pneus de uso misto geram mais ruído em velocidade de cruzeiro do que os das versões convencionais. Quem viaja na segunda fileira também sente o rigor da suspensão de feixe de molas, um dos fatores que permitem carregar 1 tonelada. Por ser um projeto com 14 anos de mercado, algumas melhorias são inviáveis, como saídas de climatização para os bancos traseiros.
- A cabine segue confortável, com painel digital, central multimídia e climatização automática.
- O pacote de assistentes de condução não inclui o controle de cruzeiro adaptativo (ACC).
- Quem roda quase só em rodovias talvez não aproveite todo o potencial da suspensão.
Posicionamento na linha S10
A Trail Boss custa pouco mais de R$ 8 mil acima da LTZ e cerca de R$ 17 mil abaixo da High Country. Segundo a avaliação, oferece uma preparação off-road que dificilmente seria reproduzida no mercado de acessórios com o mesmo nível de integração eletrônica e garantia de fábrica.
Para o mercado brasileiro, a Trail Boss mostra que a preparação homologada pode ser um diferencial real entre as picapes médias. Para quem usa a S10 em lazer, viagens de aventura ou trabalho em regiões de difícil acesso, ela surge como uma das opções mais interessantes da linha. Já quem dificilmente deixa o asfalto pode encontrar melhor custo-benefício nas demais versões, que preservam praticamente o mesmo conjunto mecânico e tecnológico.
