A Ferrari vendeu toda a produção da Luce prevista para 2026 cerca de dois meses após apresentar o modelo, o primeiro 100% elétrico da história da marca. Segundo o jornal Financial Times, a meta de pouco menos de 500 unidades foi atingida no início de julho, puxada principalmente pela demanda da China — e antes da primeira entrega a um cliente.
As entregas só começam no último trimestre. Na China, mais de 500 pessoas já encomendaram a Luce, e boa parte delas só deve receber o carro em 2027. Os Estados Unidos vêm em seguida.

O desempenho comercial contrasta com a recepção do lançamento, feito em Roma em 25 de maio. Fãs da marca italiana criticaram a ausência do ronco dos motores a combustão e, sobretudo, o desenho do carro. O ex-presidente Luca di Montezemolo disse à imprensa italiana que a Ferrari deveria pelo menos retirar o Cavallino Rampante do modelo. O vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, escreveu no X que o carro não parece uma Ferrari.
Mercado reagiu mal, mas devolveu a queda
No pregão seguinte à apresentação, em 26 de maio, as ações da Ferrari caíram 8,37% em Milão e 5,3% em Nova York. Analistas atribuíram o recuo à decepção com o design e à realização de lucros após a alta que antecedeu o evento. Os papéis recuperaram parte do terreno nas semanas seguintes.

O lote esgotado é pequeno por opção: pouco menos de 500 carros são uma fração das 13.640 unidades entregues pela Ferrari em 2025. A meta de longo prazo prevê cerca de 2.500 Luce até 2030 — média de 600 por ano, perto de 5% das vendas anuais. Segundo o Financial Times, a marca orientou as concessionárias a não pressionar colecionadores a migrar para o elétrico, e o presidente-executivo, Benedetto Vigna, afirmou que não foi preciso oferecer descontos.
Quatro motores e 1.050 cv
Vendida a partir de R$ 3,2 milhões (550 mil euros), a Luce tem quatro portas — as traseiras com abertura invertida —, cinco lugares e 5,026 m de comprimento. São quatro motores elétricos independentes, um por roda, que somam 1.050 cv e garantem tração integral. A bateria de 122 kWh, com arquitetura de 800 volts, integra a estrutura do assoalho, aceita recarga de até 350 kW — 70 kWh em 20 minutos, segundo a fabricante — e rende 530 km de autonomia no ciclo WLTP, ainda em homologação.

Apesar dos 2.260 kg, a marca declara 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e máxima acima de 310 km/h. O desenho é do estúdio LoveFrom, de Jony Ive e Marc Newson, ambos ex-Apple. Sem túnel central, a cabine combina couro, alumínio reciclado, Gorilla Glass e telas OLED feitas com a Samsung Display.
A primeira unidade produzida, o Chassis 0, personalizada pelo programa Tailor Made, vai a leilão na RM Sotheby’s durante a Monterey Car Week, na Califórnia, entre 13 e 15 de agosto. Sai sem preço de reserva, com lances estimados acima de US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5,6 milhões) e renda revertida à Ferrari Foundation.
