A Cummins mantém conversas com fabricantes chineses interessados em ampliar sua presença no mercado brasileiro. Segundo a fornecedora, são avaliadas oportunidades de cooperação que podem ir do compartilhamento de conhecimento ao desenvolvimento e à produção local de motores. A informação foi dada por Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil.
Abertura a novas parcerias
De acordo com Rishi, a fabricante está aberta a novas parcerias, em um movimento que acompanha a chegada de marcas chinesas ao País. O executivo falou à imprensa durante o evento que apresentou as novidades da empresa para a Fenatran 2026.
Para ele, as empresas que pensam em entrar no mercado brasileiro sabem que a tarefa não é fácil e, por isso, contam com a tradição e a experiência acumulada pela Cummins no País. A empresa estadunidense conversa tanto com fabricantes que já utilizam seus motores quanto com aqueles que trabalham com propulsores de outras empresas.
Rishi afirmou que a Cummins tem uma série de parcerias na China. Em geral, segundo ele, os fabricantes consultam a empresa, trocam ideias, compartilham conhecimento, e a Cummins busca oportunidades de estreitar a relação.
O caso da Foton
Entre as empresas citadas está a Foton, que mantém uma parceria global com a Cummins, inclusive por meio de uma joint venture na China. Questionado sobre a possibilidade de fornecer motores produzidos localmente para os caminhões da marca no Brasil, o executivo confirmou que há conversas. Ele ressaltou, porém, que a empresa não está pronta para divulgar nada a respeito.
Na avaliação de Rishi, trata-se de uma parceria global que repercute em uma parceria local.
O que pesa na cooperação
O executivo apontou como fatores relevantes para uma eventual ampliação da cooperação o conteúdo local, a proximidade da cadeia de suprimentos e os custos. Também citou o pós-venda: segundo ele, é um apoio que os fabricantes buscam, pois a Cummins tem décadas de atuação e cobertura em todo o País.
A colaboração pode envolver diferentes etapas do ciclo de vida dos produtos, da concepção à validação para o mercado brasileiro. Isso porque, de acordo com Rishi, os motores desenvolvidos para o mercado chinês nem sempre são os mesmos necessários para atender às condições locais.
Ele fez uma ressalva: a ampliação da parceria depende de fazer sentido para as duas partes, em uma relação ganha-ganha. Rishi também destacou que as relações não precisam começar com acordos industriais ou comerciais. A troca de informações e a identificação de desafios comuns podem abrir caminho para outras formas de cooperação, em um modelo, nas palavras dele, muito menos transacional e mais focado em encontrar uma terceira via para navegar por um mercado difícil para todos.
O que isso significa para o mercado brasileiro
As declarações indicam que a chegada de marcas chinesas ao Brasil pode ser acompanhada de arranjos com fornecedores já estabelecidos, em áreas como desenvolvimento de produtos, produção e pós-venda. Para Rishi, é difícil sobreviver e se sustentar no mercado brasileiro sem parcerias. Por ora, nenhum acordo foi anunciado, e a Cummins não detalhou o que pode ser divulgado sobre a Foton.
