Os novos Renault Twingo E-Tech e Citroën 2CV, agora totalmente elétricos, são apontados como sinal de uma correção de rota para os carros a bateria. Essencialmente urbanos, acessíveis e com forte apelo emocional, os dois franceses indicam um caminho para os EVs daqui para frente, segundo análise publicada originalmente pelo Autoo.
Os elétricos passam por uma correção de rota
Faltam praticamente apenas três anos completos para 2030, e já parece claro que os carros 100% elétricos não chegarão aos mercados tradicionais na quantidade e na velocidade que as próprias montadoras imaginaram. Os motivos vão do apetite do consumidor à concorrência chinesa.
A análise lista segmentos em que os EVs enfrentam resistência:
- Esportivos: os elétricos entregam potência e torque muito acima dos modelos a combustão, mas o cliente desse segmento parece preferir o barulho do escapamento ao desempenho concreto. O silêncio dos EVs não ajuda quem quer aparecer.
- SUVs, especialmente os grandes: o peso adicional já é um complicador. Como esses modelos costumam ser usados em viagens com família e bagagem, buscar mais autonomia exige mais baterias, o que aumenta ainda mais o peso.
- Comerciais e picapes: o cenário, em linhas gerais, se repete.
Sobram, portanto, os compactos. Nesse território, a experiência chinesa mostra um caminho mais lógico e seguro, com BYD Dolphin Mini, Geely EX2 e GWM Ora 03, exemplos já comercializados no Brasil.
O que Twingo e 2CV têm em comum
O primeiro trunfo é a proposta essencialmente urbana, com autonomia pouco acima de 200 km, suficiente para esse tipo de uso. A fórmula também comunica algo simples ao consumidor: ele pode ter em casa um elétrico parecido com o carro a combustão dos pais, só que tecnologicamente adequado aos tempos atuais.
Para o autor, isso é evolução, e não a revolução que chegou "chutando a porta" e levou os EVs a um quadro de ame-os ou odeie-os. Outros fatores ajudam a quebrar resistências:
- o design claramente inspirado nos clássicos, com ar amigável;
- o preço acessível;
- o nome do modelo e o emblema da fabricante, familiares e conhecidos, diferentemente das marcas chinesas;
- a manutenção de opções a combustão ou híbridas nos modelos de outros segmentos.
Renault, Citroën e o exemplo da Fiat
A Renault seguiu a mesma linha com os novos 4 e 5, bem menos conhecidos no Brasil do que o Twingo. A Citroën chegará a essa disputa em 2028 com o 2CV de série, que o autor espera idêntico ao conceito mostrado no Salão de Paris em outubro. Ele não descarta que outras marcas entrem na disputa até lá, citando como possibilidades Fusca, Ka, Corsa/Kadett e Peugeot 206.
A Fiat foi uma espécie de pioneira com o 500e, mas só na referência retrô. A marca o vendeu como subcompacto de luxo, concorrente do Mini, com preço alto e produção baixa. Na outra ponta veio o Topolino elétrico, irmão do Citroën Ami, um veículo diminuto e de uso quase restrito, voltado a jovens ou a centros de grandes cidades. Para o autor, o ideal seria um intermediário entre os dois, que no caso da Fiat, no contexto histórico, se chamaria Uno.
Para o mercado brasileiro, a mensagem é que o próximo impulso dos elétricos pode vir de carros compactos, familiares e acessíveis, e não de esportivos ou SUVs. Segundo a análise, esse movimento tem tudo para ser o grande empurrão de que os EVs precisam para serem aceitos nas garagens da maioria dos consumidores.
