A Nissan discute internamente a possibilidade de produzir veículos no Brasil a partir de kits importados completamente desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD). A informação foi dada por Ricardo Gondo, presidente da marca no país, em encontro com jornalistas na sexta-feira passada. Apesar da discussão, Kait e Kicks continuarão a ser produzidos na fábrica de Resende (RJ).
Novo comando e a discussão sobre CKD e SKD
Gondo deixou a presidência da Renault no Brasil em 2025 e assumiu o mesmo cargo na Nissan há dois meses. Em sua conversa com a imprensa, admitiu que a empresa avalia internamente o uso desses modelos de montagem, que se baseiam em kits importados, caso seja necessário. O executivo não detalhou de que forma isso poderia ocorrer.
Ele também afirmou que o mercado brasileiro de híbridos e elétricos, em diferentes estágios, cresce mais rápido do que a Nissan imaginava. Sem indicar prazos, mas confirmando estudos, disse: “Isso exige decisões que não podem demorar”. Outros fabricantes, segundo a fonte, vêm se movimentando na mesma direção.
O que os números da produção revelam
Gondo fez questão de destacar um cenário do setor: “A produção brasileira de veículos leves este ano cresceu 9,7% até setembro e a expectativa é fechar o ano com alta de 7,6%. Mas, se tirar CKD/SKD, a expansão será de apenas 2%”.
O executivo não deu exemplos, mas sabe-se que, pelo menos por enquanto, as marcas chinesas concentram-se nesse tipo de produção. Isso implica quase nenhuma participação de compras no parque brasileiro de autopeças.
- BYD e GWM prometem maior compromisso com a produção local, e o panorama pode mudar a partir de 2027.
- A Geely já está acertada com a Renault.
- Sindipeças e fabricantes de pneus ainda aguardam que as encomendas comecem a vir em bom ritmo.
X-Trail e-Power chega em 2027
Gondo confirmou para o primeiro trimestre de 2027 o lançamento no Brasil do X-Trail e-Power, SUV médio importado. Trata-se de um modelo elétrico de alcance estendido, com tração 4×4 e dois motores que, somados, entregam 216 cv de potência e 33,7 kgfm de torque.
Um motor a combustão 1.5 turbo serve apenas para acionar um gerador e recarregar a bateria de 1,85 kWh. Por isso, o modelo dispensa carregadores externos: basta abastecer com gasolina e seguir viagem, sem a necessidade de planejamento prévio.
Para o mercado brasileiro, o recado é que a Nissan mantém a produção de Kait e Kicks em Resende, mas deixa aberta a porta para os esquemas CKD e SKD. A movimentação acompanha um setor em que parte relevante do crescimento da produção depende desses kits, e em que a indústria de autopeças espera ganhar participação com a produção local mais robusta.
