A Nissan tem três novidades nos planos para o Brasil em 2027, e cada uma seguirá um caminho diferente: o X-Trail e-Power, um SUV com tecnologia e-Power; o sedã elétrico N7, vindo da China; e o NX8, outro SUV chinês, previsto em duas opções de motorização. O X-Trail e-Power deve ser o primeiro a chegar, a partir de março.
X-Trail e-Power abre a renovação
O X-Trail e-Power é um SUV posicionado acima do Kicks e será o primeiro dos três modelos a chegar, na virada do ano fiscal da Nissan. Seu sistema usa motores elétricos para movimentar as rodas, enquanto o motor a gasolina atua como gerador de energia. Não há recarga externa: o carro dispensa tomada.
Na configuração europeia, o modelo oferece 204 cv com tração dianteira ou 213 cv com o sistema integral e-4ORCE, além de opções para cinco ou sete ocupantes. O SUV tem aproximadamente 4,68 metros de comprimento. Ainda falta saber quais configurações chegarão ao mercado brasileiro.
N7 e NX8 vêm da China
O sedã N7 nasce da operação conjunta com a Dongfeng, na China, e já faz parte da estratégia de exportação da Nissan para a América Latina. A chegada ao Brasil deve ocorrer depois da estreia do X-Trail e-Power, mas a fabricante ainda não confirmou o mês, e a data brasileira segue indefinida.
Nas versões convencionais, o sedã mede 4,93 metros de comprimento e tem 2,915 metros de entre-eixos. A tabela chinesa atual apresenta opções com aproximadamente 218 cv ou 286 cv e autonomia de até 635 km pelo ciclo CLTC. Esse número não corresponde à homologação brasileira, cuja metodologia reduz em 30% a distância informada.
O NX8 é um SUV de 4,87 metros de comprimento e 2,917 metros de entre-eixos, previsto em versões elétrica e com extensor de autonomia. A Nissan informa até 650 km para a versão elétrica e até 1.450 km de alcance total para a configuração com extensor, ambos medidos pelo padrão chinês.
Um catálogo concentrado em dois SUVs
Os lançamentos ampliariam um catálogo que hoje depende fortemente de dois SUVs, num período em que o mercado cresce e outras fabricantes aumentam suas ofertas de híbridos e EVs. Em setembro, Kait e Kicks somaram quase 88% dos emplacamentos da Nissan, com 3.060 e 2.785 unidades, respectivamente, entre os aproximadamente 6,65 mil veículos da marca registrados no mês. O Versa teve 795 emplacamentos, enquanto Frontier e Sentra, modelos que estão fora da linha, apareceram nos registros com cinco e três unidades.
A concentração da demanda acompanha uma perda de espaço: a Nissan ficou com 2,47% do mercado de automóveis e comerciais leves em setembro, após vender cerca de 13,9% menos do que no mesmo mês de 2025. O setor, por sua vez, avançou 16,16% nessa comparação, e o volume acumulado pela marca entre janeiro e setembro chegou a 56.573 veículos.
Nesse cenário, também marcado pelo desânimo da rede autorizada, Ricardo Yuji Gondo conduz a operação brasileira, após assumir a presidência em agosto e reunir a imprensa na sexta-feira (16). Respeitado pela rede, Gondo esteve à frente da Renault, havia se aposentado e agora retorna ao setor.
Para o mercado brasileiro, a estratégia da Nissan significa tentar diversificar uma linha hoje apoiada em poucos modelos. O X-Trail e-Power será o primeiro teste da competitividade dessa oferta, e o desempenho dele deve indicar como a experiência tecnológica da marca será recebida pelo consumidor brasileiro.
