Quase 80 anos depois de sua estreia no mesmo lugar, um dos carros mais emblemáticos da história da Citroën está de volta ao Salão de Paris. Desta vez, o 2CV aparece como o 2CV Concept: um protótipo elétrico, com visual modernizado e uma missão diferente da que tinha no fim dos anos 1940, a de ajudar a popularizar a mobilidade elétrica na Europa.
Um conceito que antecipa um possível elétrico compacto
O 2CV Concept resgata a identidade do clássico francês, cujo nome vem de Deux Chevaux, "dois cavalos" em francês. Ele também antecipa o possível novo carro elétrico compacto da marca, que pertence ao Grupo Stellantis. A proposta é posicioná-lo entre o Ami e o C3.
A Citroën europeia afirma que a ideia é que a futura versão de produção tenha preço estimado em 15 mil euros. A empresa, porém, ainda não diz quando, ou mesmo se, o carro chegará à produção.
Dimensões compactas e design inspirado no original
Com 3,76 metros de comprimento, o conceito é ainda mais curto que o 2CV original. Ele aposta no que parece raro na indústria atual: dimensões compactas, baixo peso, simplicidade e facilidade de uso. Na visão da Stellantis, é uma resposta da Citroën à tendência de carros cada vez maiores, mais pesados, caros e cheios de equipamentos nem sempre necessários no dia a dia.
A ideia é voltar ao básico sem tornar o carro rudimentar. O conceito reúne soluções modernas de conectividade e conforto, mas mantém uma arquitetura visual simples e cheia de personalidade. A carroceria tem superfícies mais planas, entradas de ar diretas e para-choques que podem ser substituídos separadamente, soluções que facilitariam a fabricação e a manutenção.
O desenho é uma releitura clara do modelo de 1948:
- os faróis redondos ganharam tecnologia de LED;
- o para-brisa vertical, o teto fluido e os para-lamas arredondados reproduzem elementos que tornaram o 2CV tão reconhecível;
- a tampa traseira preta faz referência às primeiras gerações;
- as rodas de aço de 18 polegadas têm detalhes amarelos removíveis;
- a pintura é na cor Infra Red, um tom alaranjado com nuances de amarelo e vermelho.
Interior inusitado e o 2CV Fourgonnette
Por dentro, em vez de um painel convencional, o conceito tem um conjunto cilíndrico que concentra o volante e os principais comandos. Há uma tela Citroën Smart Vision no campo de visão do motorista e outra, quadrada e de 8 polegadas, com interface inspirada em histórias em quadrinhos.
Até o rádio foge do padrão: batizado de "Radioën", pode ser removido do painel e usado como caixa de som portátil. Os bancos usam a tecnologia Citroën Advanced Comfort, e o teto solar de tecido deixa a cabine mais aberta. A decoração é nostálgica, com o padrão xadrez tartan nos bancos em tons de amarelo, detalhes em bege que remetem à baquelite, tecidos com textura de palha, madeira e um cesto produzido por impressão 3D com madeira e plástico de origem biológica.
Ao lado do conceito, no espaço da marca em Paris, está o 2CV Fourgonnette Concept, uma interpretação moderna da antiga versão utilitária. A Citroën deixa claro que se trata de um "exercício de design", criado para imaginar um veículo comercial leve simples, prático e acessível nos dias de hoje.
O que significa para o mercado
Os dois conceitos seguem a mesma receita: reinterpretar um dos capítulos mais importantes da história da Citroën para uma época em que os carros elétricos precisam deixar de ser apenas sofisticados e caros para alcançar um público maior. Para o mercado brasileiro, por ora, é um sinal de direção da marca e do Grupo Stellantis, já que não há confirmação de produção do modelo.
