O Citroën 2 CV voltou ao Salão de Paris 78 anos depois de estrear no mesmo evento. A marca francesa mostrou o 2 CV Concept, releitura elétrica de um de seus maiores clássicos, cheia de referências bem-humoradas ao original. Ao contrário de muitos conceitos exibidos na capital francesa, este vai virar carro de produção: segundo a Citroën, chega às lojas europeias até 2028, por cerca de R$ 84 mil (15 mil euros).
O carro que motorizou a França rural
O 2 CV nasceu para motorizar a França rural do pós-guerra, ainda em recuperação do conflito. O projeto, encomendado nos anos 1930 por Pierre-Jules Boulanger, então dirigente da Citroën, pedia um "guarda-chuva sobre quatro rodas": barato, robusto e capaz de levar quatro pessoas e 50 kg de produtos agrícolas até a feira. Havia ainda uma exigência curiosa: atravessar um campo arado com uma cesta de ovos sem quebrar nenhum.
O primeiro motor, de dois cilindros e refrigerado a ar, tinha só 9 cv. Mesmo assim, mais de 3,8 milhões de unidades foram feitas até 1990, quando o último 2 CV saiu da fábrica de Mangualde, em Portugal. No fim da linha, o 2 CV6 usava motor 0.6 de 29 cv, chegava a 115 km/h e já tinha freios a disco na dianteira. A receita básica seguia a mesma: dois cilindros, refrigeração a ar e câmbio manual de quatro marchas.
Para Xavier Chardon, presidente da Citroën, o mundo mudou, mas a ideia de um carro simples, acessível e útil continua a mesma.
Design e detalhes bem-humorados
Com 3,76 m de comprimento, o novo 2 CV é mais curto que o original, o que ajuda na meta de pesar cerca de 1.000 kg e permite uma bateria menor e mais barata. A Citroën ainda não divulgou potência nem autonomia.
O desenho mantém os faróis redondos separados da carroceria, o para-brisa vertical, os limpadores aparentes e o teto solar de tecido. As rodas de aço têm 18 polegadas, e os pneus Michelin trazem o duplo chevron, símbolo da marca, na banda de rodagem.
- Os nichos das portas foram dimensionados para levar ovos, em homenagem à exigência do projeto original.
- Nos pedais, a tartaruga indica o freio e o coelho, o acelerador.
- A buzina e o som de partida imitam os do 2 CV antigo.
- No para-brisa, os números 48, 90 e 26 lembram os anos de estreia, de fim de produção e de renascimento do modelo.
Cabine feita de tecido
Não há painel tradicional: um cilindro central reúne o volante de um raio só, uma alavanca única de comandos e uma tela de 8". O rádio é removível e funciona como caixa de som portátil.
O tecido é o fio condutor da cabine. Os bancos levam o xadrez clássico do 2 CV, refeito em tons de amarelo. Piso, painel e portas recebem tecido texturizado inspirado na palhinha de cadeiras e na cestaria, e as maçanetas internas são alças de tecido macio. Detalhes em bege no volante, nos comandos e nos bancos imitam a baquelite, plástico usado em rádios e telefones antigos. No lugar do console, há uma cesta removível feita em impressora 3D, que combina madeira e plástico de origem vegetal; a madeira aparece também em volta do rádio.
O que significa para o mercado
O 2 CV de produção será feito na Europa e ficará posicionado entre o Ami, quadriciclo elétrico urbano, e o C3. A Citroën não comentou planos para o Brasil, então por enquanto o elétrico simples e com personalidade fica restrito ao mercado europeu.
