terça-feira, 13 de outubro de 2026

Renault E-Space Concept: minivan elétrica revive a Espace de 1984 no Salão de Paris

A Renault foi buscar em um clássico da própria história a inspiração para o carro de família do futuro. A marca francesa apresentou nesta segunda-feira (12), no Salão de Paris, o E-Space Concept, minivan elétrica que homenageia a Espace original, de 1984. Segundo a fabricante, o conceito não antecipa um modelo de produção nem vai substituir a Espace atual.

Uma homenagem a um pioneiro das minivans

A proposta do E-Space é resgatar a voiture à vivre ("carro para viver", em francês), ideia de um veículo pensado primeiro para as pessoas. A Espace original foi desenvolvida em parceria com a Matra, grupo francês de aeronáutica e defesa que também fabricava carros esportivos, e foi uma das primeiras minivans modernas da Europa.

O começo foi tímido: só nove unidades vendidas no primeiro mês. Com o tempo, a cabine ampla conquistou as famílias. O auge veio no fim dos anos 1990: em 1999, foram 67.782 unidades vendidas na Europa, segundo o site Car Sales Base. Em 2023, porém, a sexta geração deixou de ser minivan e virou SUV.

Design com referências ao passado e à arquitetura

O E-Space tem 4,70 m de comprimento, 2,02 m de largura e 1,67 m de altura, com rodas de 23 polegadas nos cantos da carroceria. As proporções lembram as da primeira Espace. O para-brisa emenda no capô em linha contínua, como no perfil da Espace de 1984, comparado ao do trem-bala francês TGV. O aerofólio no alto da traseira lembra o da segunda e da terceira gerações, e a faixa preta na base da carroceria, que abriga a bateria, faz alusão às proteções laterais cinza do modelo original.

A principal inspiração dos designers, porém, veio da arquitetura: a Farnsworth House, casa de paredes de vidro projetada por Mies van der Rohe e concluída em 1951 nos Estados Unidos. Segundo Romain Gauvin, chefe de design avançado da Renault, a cabine foi pensada como uma bolha de vidro envolvida pela carroceria, com linhas suaves inspiradas na aviação. Por isso, os vidros descem abaixo da linha de cintura, baixa o bastante para os ocupantes apoiarem o cotovelo na porta. As portas traseiras abrem no sentido contrário ao das dianteiras, sem coluna central.

Interior pensado como uma sala de estar

Dentro, são seis bancos individuais idênticos sobre um assoalho plano. Segundo Stéphane Maiore, chefe de design de interiores, eles foram inspirados em móveis, e não em carros. As conchas laqueadas lembram o trabalho do designer francês Pierre Paulin, e o encosto fino no alto repete o desenho dos bancos da Espace de 1984.

  • Os bancos da segunda fileira giram 180 graus e ficam de frente para a terceira, como em um vagão de trem.
  • Na configuração de quatro lugares, eles se dobram e viram uma mesa.
  • Quem viaja ali tem bandejas dobráveis e telas de 12,3" no encosto dos bancos dianteiros.
  • Um console central deslizante reúne purificador de ar, frigobar, controles de videogame e até um jogo Lig 4.

No lugar do painel, uma tela curva de 1,13 m de largura atravessa a cabine. Os comandos de toque ficam em duas telas que giram ao redor da base do volante, que usa tecnologia steer-by-wire, sem ligação mecânica com as rodas.

Palha, lã e cores dos anos 1970

A paleta resgata os interiores pop da Renault dos anos 1970, com tons de vermelho, roxo e grená. O carpete de lã tem 3 cm de altura e degradê coral. Couro e madeira ficaram de fora: o acabamento é de palha tingida, as mesinhas têm marchetaria de palha e o volante mistura tecido e um material com 26% de óleo de mamona e 25% de algodão orgânico. Para Alexandre Malval, diretor de design da marca, a ideia foi simplificar sem medo do vazio.

A Renault não divulgou dados de motor, bateria nem autonomia do E-Space. O Salão de Paris vai até o próximo domingo (18).

O que isso significa para o mercado

Por ser apenas um exercício de design, o E-Space não indica um lançamento nem uma data de chegada ao Brasil. Ainda assim, o conceito mostra uma marca que, em um mercado dominado pelos SUVs, volta os olhos para a minivan e para a ideia de um carro de família pensado como espaço de convivência, com materiais alternativos ao couro e à madeira.

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