quarta-feira, 14 de outubro de 2026

GWM Ora 5 tem fila de 90 dias e executivo admite: “É muito tempo”

O GWM Ora 5, SUV elétrico lançado em junho, teve suas primeiras 2 mil unidades vendidas em apenas 24 horas. O resultado superou as expectativas da fabricante chinesa, mas trouxe um efeito colateral: mais de três meses depois, quem compra o modelo ainda enfrenta uma fila de espera de aproximadamente 90 dias. Segundo Diego Fernandes, COO da GWM Brasil, a empresa trabalha para conseguir mais veículos e atender a demanda.

Procura superou o planejamento da GWM

Em entrevista ao podcast do Motor1 Brasil, Fernandes contou que a projeção inicial era vender entre 700 e 800 unidades por mês. A demanda real superou esse volume em quase três vezes já no primeiro dia de comercialização. A previsão comercial usada pela marca antes da estreia, portanto, se mostrou insuficiente.

O executivo reconheceu o incômodo do prazo: "É muito tempo, né? Então, a gente tá trabalhando fortemente para reduzir esse prazo".

De acordo com ele, a dificuldade também está ligada à recepção do SUV em outros mercados. O modelo começou a chegar a diferentes países ao longo dos últimos meses, e a demanda internacional aumentou a disputa pelos veículos produzidos na China. A operação brasileira precisa negociar um volume maior de unidades para reduzir a fila.

O problema não é novo. Ainda em junho, a GWM anunciou o esgotamento do lote inaugural e abriu uma segunda remessa de mil unidades, com prazo de entrega de até 110 dias. Mesmo após mais de três meses de vendas, a espera relatada segue próxima dos 90 dias, sinal de que a fabricante ainda não ajustou a oferta ao ritmo de pedidos.

Produção nacional ainda não é solução imediata

Enquanto tenta ampliar o abastecimento do modelo importado, a GWM prepara a produção nacional, confirmada em junho para a segunda fábrica da marca no Brasil. A unidade ficará em Aracruz, no Espírito Santo, e terá capacidade para fabricar veículos elétricos, híbridos e a combustão. Isso a diferencia da operação de Iracemápolis (SP), onde a empresa iniciou sua produção brasileira.

O Ora 5 já está confirmado entre os modelos previstos para a futura fábrica capixaba, mas a montadora ainda não informou quando o SUV começará a sair da linha de montagem. A nacionalização pode reduzir no futuro a dependência de unidades importadas, mas não resolve a situação de quem aguarda a entrega agora.

Também não está definido quais versões serão produzidas no Espírito Santo. Hoje, a GWM vende no Brasil apenas a configuração elétrica, enquanto na China o carro tem alternativas híbridas e somente a combustão. A fabricante estuda ampliar a oferta de motorizações no mercado nacional, mas não confirmou quais delas serão feitas localmente.

O que o Ora 5 oferece

Primeiro SUV totalmente elétrico da GWM no Brasil, o modelo estreou em junho com preço promocional de R$ 159 mil. Nessa faixa, posiciona-se entre compactos tradicionais como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Honda HR-V. Apesar disso, suas dimensões se aproximam das de SUVs maiores: 4,47 metros de comprimento, 2,72 m de entre-eixos e porta-malas de 362 litros.

  • Versão: única, com motor dianteiro de 204 cv e 26,5 kgfm, que leva o carro de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos.
  • Bateria: 58,3 kWh, com química LFP (fosfato de ferro-lítio) e autonomia homologada de 349 km pelo Inmetro.
  • Recarga: rápida em corrente contínua, com potência de até 120 kW, recuperando de 30% a 80% da carga em aproximadamente 20 minutos.
  • Equipamentos: central multimídia de 14,6 polegadas com sistema Coffee OS 3, painel digital de 10,25", teto panorâmico, bancos dianteiros ventilados, câmera 540° e pacote de assistências à condução ADAS 2+.
  • Extras: carregador de celular por indução de 50 W e tecnologia Vehicle-to-Load (V2L), que permite alimentar equipamentos externos pela bateria do veículo.

Para o mercado brasileiro, o caso mostra que o interesse por elétricos em faixas de preço mais acessíveis pode superar as projeções das marcas, mas que a logística de abastecimento é tão decisiva quanto o produto. Com o Ora 5 oficialmente à venda e o comprador esperando cerca de três meses, a capacidade da GWM de reduzir a fila, seja com mais unidades importadas, seja com a futura produção em Aracruz, será determinante para sustentar o bom início do modelo.

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