segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Citroën ressuscita o 2 CV, o “Fusca francês”, em versão elétrica com lançamento previsto para 2028

A Citroën apresentou o 2 CV Concept, uma releitura bastante livre de um dos automóveis mais populares da Europa no século passado. O conceito elétrico servirá de inspiração para um modelo de produção previsto para 2028 e marca a aposta da fabricante francesa em um carro elétrico barato, construído sobre a memória de seu mais famoso popular.

O "Fusca francês" e sua história

Para o brasileiro, o 2 CV pode ser entendido como uma espécie de "Fusca francês". Apresentado em 1948, poucos anos após a Segunda Guerra Mundial, o modelo foi criado para ser simples, barato, econômico e capaz de enfrentar as estradas ruins da França rural. Permaneceu em produção até 1990 e teve mais de 5 milhões de exemplares fabricados, considerando suas diferentes versões.

O projeto começou antes da guerra, com uma especificação tão elementar quanto curiosa: o carro deveria transportar quatro pessoas e uma carga de produtos agrícolas, consumir pouco combustível e atravessar terrenos ruins sem destruir o que estivesse sendo levado. Daí surgiu a famosa história de que deveria ser possível levar uma cesta de ovos por uma estrada de terra sem quebrá-los, referência que ajuda a explicar algumas das brincadeiras do conceito atual.

Quando chegou ao mercado, em 1948, o primeiro 2 CV tinha motor de apenas 375 cm³ e 9 cv. O desempenho era limitado até para os padrões da época, mas a simplicidade mecânica, o baixo custo e a suspensão preparada para pisos ruins fizeram o modelo ganhar espaço rapidamente. Nas décadas seguintes, recebeu motores maiores e inúmeras atualizações, sem abandonar sua concepção básica. A produção terminou em julho de 1990, na fábrica de Mangualde, em Portugal.

Um conceito deliberadamente caricato

O conceito elétrico não tenta simplesmente reproduzir o carro original. Com 3,76 metros de comprimento, ele transforma elementos conhecidos do 2 CV em um desenho bem mais caricato. Os para-lamas continuam destacados, os faróis ficam separados do capô e a carroceria mantém formas arredondadas, mas o resultado lembra mais um brinquedo em tamanho real do que um automóvel retrô convencional.

O interior também exagera de propósito. Os quatro bancos parecem grandes almofadas revestidas de tecido xadrez amarelo e branco, e o painel praticamente elimina a quantidade de comandos de um carro moderno. O volante branco tem apenas um raio, e uma pequena tela removível fica no centro. Entre os bancos dianteiros há um compartimento que imita uma cesta de piquenique de vime, com tampa e alça. No teto, pequenas luminárias redondas lembram lanternas de papel usadas em festas. Puxadores de tecido, um rádio de aparência antiga e pequenos objetos espalhados pela cabine completam um interior bem distante da sobriedade dos Citroën atuais.

Modelo de produção em 2028 e a Fourgonnette

A brincadeira visual esconde uma ideia séria. Assim como o 2 CV original nasceu para colocar mais franceses dentro de um automóvel, a Citroën quer desenvolver um elétrico que custe consideravelmente menos que os modelos disponíveis atualmente na Europa. A fabricante já confirmou que pretende colocar nas ruas, em 2028, um modelo derivado do conceito. A expectativa é de um preço próximo de 15 mil euros, embora o valor definitivo ainda não tenha sido estabelecido.

A Citroën ainda não revelou potência, capacidade da bateria ou autonomia. A intenção é manter o carro pequeno e leve, reduzindo também o tamanho e o custo da bateria necessária para movimentá-lo. O futuro 2 CV deverá ficar acima do minúsculo Ami e abaixo do C3 na linha europeia, e a marca avalia enquadrá-lo na nova categoria de elétricos compactos e acessíveis discutida pela União Europeia, uma forma de reduzir custos regulatórios e permitir que as marcas locais enfrentem os modelos baratos produzidos na China.

O cenário é diferente do encontrado quando os primeiros elétricos modernos chegaram ao mercado europeu: a Renault prepara o novo Twingo E-Tech, a Volkswagen trabalha em elétricos menores e as fabricantes chinesas aumentam rapidamente sua participação no continente. Para a Citroën, recuperar o 2 CV também resolve um problema de identidade, associando o pequeno elétrico ao carro que melhor simbolizou sua antiga proposta de transporte barato e sem sofisticação desnecessária.

No Salão de Paris, a marca mostrou ainda uma segunda interpretação, o 2 CV Fourgonnette Concept, inspirado na versão comercial do clássico lançada originalmente em 1951. Ele mantém a dianteira arredondada do modelo de passageiros, mas recebe traseira mais alta e fechada, com laterais de aparência metálica e nervuras horizontais. A proposta surgiu na própria equipe de design da Citroën e foi apresentada como conceito independente, sem especificações de capacidade de carga, motorização ou autonomia. Diferentemente do modelo de passageiros, a Fourgonnette ainda não recebeu sinal verde para produção, e a fabricante poderá avaliar sua viabilidade comercial antes de decidir.

Para o mercado brasileiro, o 2 CV elétrico é, por ora, um sinal do que pode vir pela frente: a busca por elétricos realmente acessíveis, em um momento em que marcas tradicionais e chinesas disputam espaço. Não há, no material divulgado, qualquer indicação sobre a chegada do modelo ao Brasil.

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