A Honda lançou em setembro a CB1000 Hornet com preço abaixo do esperado pelo mercado: a partir de R$ 68.800, chegando a R$ 76.750 na versão topo de linha, a SP. O valor é o mais baixo entre as concorrentes diretas e reduziu em R$ 10 mil o preço de entrada da linha naked 1000 da marca, já que a antecessora, a CB1000R, partia de R$ 78.870 e ia até R$ 87.830.
Por que a Hornet custa menos, segundo a Honda
Segundo a Honda, o segredo do preço mais em conta está no avanço tecnológico. Luiz Gustavo, supervisor de Relações Públicas da marca, explicou ao AutoPapo que, por ser um projeto novo, a fabricação do modelo está mais moderna como um todo, o que permitiu preços mais baixos.
Outro fator é o aproveitamento de peças: a moto usa vários componentes de outros modelos da marca, como a CBR1000RR Fireblade e a pequena CB500 Hornet. A Honda não detalhou quais componentes mudaram nem quanto cada mudança pesou na conta. O que se vê é que a Hornet custa menos mesmo trazendo itens que a CB1000R não tinha.
Motor, câmbio e chassi
A CB1000 Hornet usa um quatro cilindros em linha de 1.000 cm³ derivado da CBR1000RR Fireblade 2017. São 147,4 cv a 11.000 rpm e 10,34 kgf.m a 9.000 rpm. Para adaptar o propulsor à proposta naked, a Honda redesenhou os comandos de válvulas, alterando levantamento e tempo de abertura para melhorar o fluxo de gases em toda a faixa de giros. O escapamento 4-2-1 também foi pensado para reforçar o torque em médias rotações.
O câmbio de seis marchas teve as relações da segunda à quinta ajustadas para privilegiar a aceleração, enquanto a sexta foi pensada para rodar com mais tranquilidade na estrada. A embreagem assistida e deslizante é de série nas duas versões, e o quickshifter, com três níveis de ajuste e redução sem embreagem, é exclusivo da SP.
A maior mudança está no chassi. A estrutura é do tipo Diamond de dupla trave em aço, com rigidez torcional 70% maior que a da CB1000R, segundo a Honda, o que favorece a agilidade nas trocas de direção. O motor foi posicionado mais à frente, assim como o amortecedor traseiro e a bateria, resultando em distribuição de peso de 50,9% na dianteira e 49,1% na traseira. O peso seco é de 197 kg e o assento fica a 809 mm do chão.
- Suspensão dianteira: garfo invertido Showa SFF-BP de 41 mm, com ajuste de pré-carga, compressão e retorno, nas duas versões.
- Suspensão traseira: amortecedor Showa na versão de entrada e Öhlins TTX36 na SP.
- Freios dianteiros: discos flutuantes de 310 mm com pinças radiais de quatro pistões, Nissin na versão de entrada e Brembo Stylema na SP.
- Pneus: 120/70-ZR17 na frente e 180/55-ZR17 atrás.
Eletrônica e equipamentos
Na eletrônica, a evolução em relação à antecessora é pequena, já que a CB1000R tinha acelerador eletrônico, controle de tração, modos de pilotagem, embreagem deslizante e painel TFT com conectividade RoadSync. As novidades concretas da Hornet são o controle de empinada integrado ao HSTC, um segundo modo User e o quickshifter na SP.
O acelerador eletrônico permite três modos de pilotagem (Rain, Standard e Sport), além de dois modos User configuráveis. Há três níveis de potência e de freio-motor e quatro de controle de tração, que integra o controle de empinada e pode ser desligado. O painel TFT de 5 polegadas usa tecnologia Optical Bonding para reduzir reflexos sob sol forte e, pelo aplicativo Honda RoadSync, conecta-se a celulares iOS e Android, exibe navegação passo a passo e permite atender chamadas e ouvir música com intercomunicador Bluetooth. As duas versões também têm o ESS, que aciona as setas traseiras em frenagens de emergência.
Cores, garantia e revisões
A CB1000 Hornet é oferecida nas cores Branco Perolizado e Vermelho, e a SP em Preto Fosco. Os preços são sugeridos para São Paulo, sem frete e seguro. A garantia é de três anos sem limite de quilometragem, com Honda Assistance gratuito no período. A primeira revisão ocorre com 1.000 km ou 6 meses, e as seguintes a cada 6.000 km ou 6 meses.
Para o mercado brasileiro, a estratégia da Honda muda o patamar de entrada das nakeds de mil cilindradas: o motorista que buscava esse tipo de moto passa a ter uma opção com mecânica de origem Fireblade, chassi mais rígido e preço R$ 10 mil menor que o da geração anterior, ainda que a evolução eletrônica seja modesta.
