quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Honda City 2027 chega com preços de R$ 117.700 a R$ 156.400 e aposta na confiabilidade

A Honda lançou a linha 2027 do City, nas carrocerias hatch e sedã, com preços entre R$ 117.700 e R$ 156.400. Os valores colocam os compactos japoneses na faixa mais aquecida do mercado, e o principal argumento do modelo é a confiabilidade da marca e do motor 1.5 de quatro cilindros.

Uma faixa de preço cheia de alternativas

Nesse patamar de preços há de tudo: SUVs de entrada, SUVs compactos, picapes leves, compactos elétricos, sedãs compactos e até SUVs médios em ações promocionais. Diante de tantas possibilidades, o City precisa se apoiar em argumentos fortes para enfrentar a concorrência.

O principal deles está no lastro da marca. A Honda combina confiabilidade, mecânica atestada, liquidez de mercado e baixa desvalorização, o chamado "custo residual". Segundo a AutoPapo, é uma imagem construída há mais de 35 anos, desde a abertura das importações, que colocou a marca acima das demais generalistas e um degrau abaixo das premiums alemãs.

Honda cresce enquanto as chinesas ganham espaço

As marcas chinesas elevaram seu status e atingiram um padrão de sofisticação que, segundo a fonte, não deixa nada a dever aos premiums do Velho Mundo. Mesmo com esse avanço, a Honda se manteve estável no varejo e não precisou mudar o planejamento de produção nem a política de preços.

De janeiro a setembro, a marca licenciou 82.634 unidades, contra 73.570 no mesmo período de 2025. A alta é de pouco mais de 12%, acima dos 8% do mercado total. A participação, porém, encolheu de 4,07% para 3,83%, já que praticamente todas as marcas tradicionais perderam fatia para BYD, GWM, GAC, Geely e Omoda & Jaecoo.

Um único conjunto mecânico

O City 2027 não difere das demais versões da geração atual. É oferecido com um só conjunto: motor 1.5 VVTI de 126 cv e 15,8 kgfm de torque, combinado a transmissão CVT. O mesmo conjunto equipa o WR-V e as versões de entrada do HR-V.

É uma opção para quem ainda desconfia de motores turbo de três cilindros ou de unidades eletrificadas. O comportamento não surpreende, mas também não desabona: há boa desenvoltura na cidade e na estrada. Por ser aspirado, o pico de torque aparece em rotações elevadas, acima de 4.000 rpm, mas a caixa ajusta as relações rapidamente, o que resulta em retomadas rápidas e ultrapassagens seguras. Não há, claro, o impulso de um motor turbo.

A suspensão tem boa calibração, firme nas curvas e capaz de absorver irregularidades do piso. Os números do Inmetro indicam consumo satisfatório no City Sedan:

  • Etanol: 9,1 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada
  • Gasolina: 12,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada

Equipamentos e pontos fracos

O pacote de conteúdo vai das versões LX até a Touring, além da RS, exclusiva do hatch. Todas trazem climatização digital, direção elétrica e multimídia com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. O Honda Sensing passa a ser de série a partir da versão EX. Na topo de linha Touring (e na RS), há ainda a função Low Speed Follow, do controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que mantém o controle da aceleração mesmo abaixo de 32 km/h.

O acabamento chama atenção pela qualidade dos materiais, com couro nos bancos e painéis nas versões de topo. Falta, porém, ajuste elétrico dos bancos, item que ajudaria a justificar pagar mais de R$ 150 mil por um hatch ou sedã compacto diante de tantas carrocerias mais tentadoras.

O maior "senão" talvez seja a silhueta: o brasileiro prefere SUVs, e o consumidor Honda também. O WR-V, que usa a mesma plataforma, motor, transmissão e equipamentos, parte de R$ 150 mil. Mesmo assim, vendeu 27.145 unidades de janeiro a setembro, contra 11.568 do sedã e 10.005 do hatch.

O que muda para o comprador

O City 2027 entrega o que a maioria busca: motor confiável sem turbo nem módulos elétricos, consumo satisfatório e o pacote de equipamentos esperado de um carro moderno. Para quem valoriza a tradição do emblema e a baixa desvalorização, e não faz questão de um SUV, o modelo segue como uma escolha sólida. A avaliação da AutoPapo é direta: por R$ 117.700, não escolheria outro automóvel.

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