O segmento de motos custom no Brasil, durante anos carente de opções, começa a dar sinais de reação. A chegada da Royal Enfield Meteor 350 e a vinda da Haojue TR 150 Master Ride, prevista para setembro, criam novos degraus de preço e de porte numa categoria que andava desprestigiada. Mesmo assim, ainda há espaço para mais modelos.
Um segmento que já teve fartura
Não faz muito tempo, as custom tinham presença relevante nas ruas e nas lojas. Era comum ver Yamaha Virago XV 250, Virago XV 535, Drag Star 650 e Midnight 950, além das Honda Shadow 600 e 750. A Kawasaki ocupava a categoria com as Vulcan 500, 750, 800, 900 e 1.500, a Kasinski com as Cruise 125 e Mirage 250 e 650, e até a Harley-Davidson Sportster 883 chegou a ter preço competitivo.
Alguns desses modelos são lembrados com carinho até hoje, outros nem tanto. O fato é que, depois dessa fase, as custom zero-quilômetro ficaram raras e os preços das novas, de maneira geral, subiram bastante.
Por que faltaram opções
O principal motivo é a baixa escala. O segmento custom responde por apenas 0,5% da comercialização total de motos no país, e por isso as principais marcas pararam de investir nele. Sem rentabilidade mínima, o negócio fica inviável.
O resultado foi uma lacuna enorme entre as remanescentes. De um lado estão as básicas Haojue Chopper Road 150 e Dafra Horizon 150, hoje na faixa dos R$ 12.000. De outro, a Kawasaki Vulcan 650 S, cujo preço acabou de subir para R$ 39.990. A Vulcan 900 foi descontinuada no Brasil justamente pelas vendas inexpressivas, apesar de ser considerada uma ótima moto.
A pandemia de covid-19 agravou o quadro. Ela atrasou as entregas das fábricas, deixou os showrooms com poucas motos e aqueceu o mercado de usadas, o que também elevou os preços. Hoje se pede no mínimo R$ 30 mil por uma Shadow 750 2014, valor igual ao da moto zero-quilômetro quando saiu de linha, em 2014. Esse preço fica bem perto do pedido por modelos maiores, como algumas Harley-Davidson 1.600 apenas um pouco mais antigas.
Novos degraus na "escadinha"
A Royal Enfield Meteor 350, com preços entre R$ 17.990 e R$ 19.990, já criou um degrau intermediário interessante. Em setembro deve chegar a TR 150 Master Ride, outra custom da Haojue, que não deverá tirar a Chopper Road 150 de linha. A Master Ride será posicionada um degrau acima de Chopper e Horizon, com preço em torno de R$ 15.000.
Com isso, forma-se uma "escadinha" de preços, mas ela ainda está curta. Com o recente aumento, a Vulcan 650 S se distanciou ainda mais das pequenas, e permanece um espaço vazio entre ela e a Meteor 350, tanto em preço quanto em tamanho.
- Motor na faixa dos 300 cm³ a 500 cm³ é o perfil considerado ideal para preencher a lacuna.
- O preço não deveria passar de R$ 30.000, valor que a Honda Shadow 750 custava ao sair de linha, em 2014.
- Modelos com motor maior, de até 1.000 cm³, também ajudariam a enriquecer o segmento.
O que existe lá fora
Fora do país há opções interessantes, como a própria Shadow 750, que ainda é vendida nos Estados Unidos, as Honda Rebel 300 e 500 e as Yamaha V-Star 250 e Bolt 950. A Kawasaki Vulcan 900 também entraria nessa lista. Já as Harley-Davidson Street 500 e 750 provavelmente não virão, já que a marca americana resolveu ser "premium".
Para o mercado brasileiro, o recado é de avanço com ressalvas. Os 0,5% de consumidores que gostam de custom ganharam alternativas na entrada e no meio da faixa de preços, mas seguem esperando novas opções para uma "escadinha" que ainda tem poucos degraus.
